Contra os alagamentos a simplicidade dos Jardins de Chuva, as ETEs e reflorestamento.
- Jornal Daki
- há 45 minutos
- 8 min de leitura
Por Oswaldo Mendes

Alagamentos é o novo normal de toda a cidade de São Gonçalo.
Projetos errados e muita propaganda.
Tentaram imitar até o ex-prefeito Lavoura, o qual tinha a mania de visitar as obras e até mesmo dirigir patrol e escavadeiras, principalmente quando o bonde passava.
Agora me respondam o que serve um leigo visitando uma obra? Sinceramente é um a mais para atrapalhar. Sem os EPIs adequados tira um monte de fotos para a sua mídia paga.
Alguém em sã consciência que bradava aos quatro cantos que essas obras que impermeabilizava a cidade toda não iriam dar graves problemas? Será que esse pessoal tinha alguma noção de bacia hidrográfica? Hidrodinâmica e Mecânica dos Fluídos é matéria nova?
Destruíram o que sobrava da cidade. Até mesmo o pessoal que ficava na antiga “rua da caminhada” sumiu. O vazio, o calor e o cimento tomaram conta de tudo.
Acabaram com os clubes e espaços de lazer e jogaram os jovens nos bailes de favela. Tudo premeditado!
O esgoto é lançado nos corpos hídricos e tem a promessa (por décadas, só promessa) de tratamento. End of pipe. E os rios lançam dejetos na Baía de Guanabara e em breve teremos um local fedido, poluído, impróprio ao banho, mas com obra faraônica para se ver o melhor pôr do sol da cidade. Como diria Michel Porter, o que em seus livros diferenciava eficiência de eficácia, diria: Isso que é eficácia do dinheiro público.
Era para ter duas redes, sendo uma de água pluvial – da chuva e a outra de esgoto, a qual deveria ser trazido para uma ETE – Estação de Tratamento de Esgoto, igual a que temos na Praia das Pedrinhas, que trata o esgoto adivinhem de onde? Paquetá, mas não trata do esgoto de São Gonçalo.
A água da chuva seria lançada nos corpos hídricos da cidade e desembocariam nas praias, sem trazer doenças e poluição. A vida retornaria aos rios, valorizando os imóveis e dando qualidade de vida às pessoas.
Para espanto e conhecimento de todos, a ETE Praia das Pedrinhas foi inaugurada em 1998, no Governo de Marcelo Allencar e foi reinaugurada diversas vezes.
Vinte e oito anos de erros contínuo ou interesse em não funcionar?
Aquela lama preta que vemos nas praias da cidade poderiam já não mais existir. Isso é opção dos governantes. Notem na zona sul do rio se o tratamento de esgoto já não foi concretizado, mas em subúrbio, não.
São Gonçalo e suas escolhas! Imagino um historiador contando para uma plateia quais foram os requisitos que a população escolhia seus representantes.
O ex-vereador Guida, há em torno de três décadas, fez o primeiro reflorestamento de Niterói, o qual fica no morro ao lado do Mercado de Peixe Municipal e de lá para cá diversos outros projetos de reflorestamento vêm sendo implementados. Quem passa pela avenida do Contorno, João Brasil ou até mesmo a Marques do Paraná observa claramente o progresso do reflorestamento.
Com exceção do Projeto REMOMA, que situa-se na parte superior do terreno da Igreja Matriz de São Gonçalo, o qual é coordenado pelo Biólogo Marcos, tentem me apresentar outro reflorestamento na cidade com algum resultado positivo. Os gestores da cidade de São Gonçalo são amantes da motoserra.
Alguém já viu vereador nas mídias sociais dizendo que estava plantando uma árvore a pedido dos moradores? E o triste é a desculpa de que “a árvore vai colocar fogo nos fios”. Aí se vê em oposição a maior cobertura vegetal nas ruas dos bairros nobres e em subúrbios e favelas não têm árvores nas vias públicas.
O vereador, o qual deveria legislar e fiscalizar, mas a realidade é outra, para não perder o possível eleitor-votante prejudica a todos e corta arvores e mais arvores, sem qualquer requisito técnico para essa definição.
As árvores ajudam a diminuir a energia potencial da chuva, reduzindo arraste de material (energia cinética), fixam o solo e reduzem a temperatura local. Para não perder um possível voto é determinado o fim delas.
Lembrem-se que cabeamentos, fios, poderiam mudar de lugar, como acontece na zona sul.
Sem a cobertura vegetal, as águas pluviais trazem material que é levado para os rios que assim assoreiam, posterior alagamento e então tem que ser feito o processo de enxuga gelo denominado dragagem. Aí vem a licitação .....
Sem cobertura vegetal as vias são muito mais quentes, diminuindo a qualidade de vida das pessoas. Pássaros e outros animais desaparecem. As pessoas buscam outros locais – no caso de São Gonçalo a fuga é para Maricá. A cidade agride e violenta os moradores. As pessoas são produto do meio em que estão. Ação e reação. Causa e efeito. A cidade, aos poucos, vai morrendo.
Nos idos dos anos 2000 eu tive a honra de ser entrevistado pela Jornalista Simone Terra – Nosso Jornal, do amigo Rujanir Martins e na época citava sobre a necessidade de não impermeabilizar integralmente as calçadas para melhor absorção das águas pluviais – chuva.
Note que, nesta época, a maioria das ruas, com calçamento na cidade, era de paralelepípedo. Anos depois, colocaram asfalto em cima de ruas com paralelepípedo, sem a alteração das drenagens - foi o primeiro e crucial grande erro. Tudo em período pré-eleitoral.
Ressalte-se que, desde o primeiro Governo do Edson Ezequiel, idos de 1990, foi estruturado na cidade o modelo de mutirões, que inclusive recebeu diversas premiações à época. Ruas eram concretadas com a participação popular, mas drenagens não existiam e o percentual de impermeabilização do solo ainda era muito baixo, mas os estudiosos já alertavam que esse modelo precisaria de acertos.
Os mutirões eram uma verdadeira máquina de votos, barata e que acertava os desejos da população, à época.
Esse modelo foi “exportado” e diversas cidades utilizaram desmedidamente.
O fim das valas negras nas portas das casas, pois o esgoto era jogado num tubo de cem milímetros que servia também para as águas da chuva (águas pluviais). Era a solução perfeita para o momento.
Notem que a solução era pontual, mas resolvia o problema dos pedidos da população, pois desconsiderava os dias de chuva e o aumento de águas pluviais, o que resiste até os nossos dias. Obras sem considerar os impactos na impermeabilização, drenagens e águas pluviais.
Nesta época é que acontece a decretação da morte dos rios e córregos da cidade, pois todo o esgoto vai para os corpos hídricos sem nenhum tratamento e é levado às praias.
Só para exemplificar, havia candidato a vereador na cidade que tinha mais de cem ruas, em regime de mutirão, para calçamento nesse período.
Elegeram e reelegeram quem quiseram, mesmo sabendo o que isso produziria. O Povo néscio e sedento por melhorias, receberia como efeito, daí em diante, enxurrada de água misturada com esgoto dentro dos seus lares.
Todos foram avisados das causas e seus efeitos, a partir daí uns ignoraram e outros não tinham a capacidade para entender o que isso significaria.
Agora, como explicar o que acontece à uma população formada, em grande parte, por analfabetos funcionais, pessoas que vivem no modelo teocentrista e, como diz o Jornalista Hélcio Albano, a cidade é definida e aceita, por muitos religiosos, como um purgatório.
Com esse perfil, a população não faz pressão, até mesmo em função de não saber o que pedir para solucionar os problemas que a afetam. Ela considera que está aqui por um desejo divino e que este sofrimento é parte do processo para alcançar uma glória eterna. Isso sem considerar a usina de notícias falsas (Fake News) que são direcionadas a esse público diariamente. Imaginem agora com as IAs – Inteligência Artificial.
Necessidade é uma questão crescente e infinita.
Logo depois da impermeabilização do solo, a população nota que faltou prever melhoria na rede de água potável, bocas de lobo, rede de esgoto e também aparece a instalação de quebra-molas instalados por populares em função do aumento de carros transitando livremente. Veio também a cobrança de melhoria da iluminação das ruas e travessas.
Outro grande movimento que aconteceu nesse mesmo período foi de impermeabilização dos terrenos. A moda de ter terreno todo calçado (impermeabilizado).
PDBG – Programa de Despoluição da Baía de Guanabara e a Estações de Tratamento de Esgoto estavam no auge.
Existiram diversos projetos para instalação de redes específicas de esgoto por toda a cidade, mas foram abandonados. Dinheiro publico jogado fora e a qualidade de vida das pessoas também.
E assim, a cada rua que é inaugurada, sem a devida análise do impacto na Bacia Hidrográfica, a qual ela está contida, os efeitos da impermeabilização do solo, sem a devida separação de esgoto com água de chuva, sem devidas drenagens, sem a recomposição da cobertura vegetal e também sem o efetivo funcionamento das Estações de Tratamento de Esgoto, na verdade é só mais um passo do caminho que a cidade adotou para o caos.
É Causa e efeito.
Inaugura-se parques e pracinhas, mas não fazem a ETE – Estação de Tratamento de Esgoto – ao lado, funcionar. Aí vem a pergunta sobre uma coisa denominada prioridade, maldade, incompetência ou o somatório disso tudo.
O Meio Ambiente tem uma linha que ela consegue absorver e que não pode ser ultrapassada, a qual é denominada breakline (linhas de rupturas). Atualmente o que assistimos é exatamente o efeito das rupturas que foram realizadas.
Ninguém queria mais terreno com lama e assim se fez. Ruas impermeabilizadas e terrenos também impermeabilizados e as águas pluviais das residências são jogadas também nas ruas, as quais não tiveram alteração ou até mesmo, instalação de rede de drenagens, em suma, virou alagamento.
É necessária uma reversão. Os terrenos têm que ter área para a absorção das águas pluviais e não podem ser jogados tudo nas ruas e as vias públicas precisam de áreas de absorção das chuvas, e talvez os Jardins de Chuva sejam uma boa e barata opção.
Terrenos baldios, os que muitas vezes trazem prejuízos à população, poderiam ser utilizados como locais para absorção de água da chuva, de forma natural.
Não é inventar a roda. Diversas cidades já o fazem. É necessário pressão popular para que aconteça. Jardins de Chuva é barato, funciona e pode ser instalado em diversos locais e em qualquer via.
Este ano teremos eleições, mas num período que, dificilmente, haverá chuvas fortes e o caso do aumento do IPTU todo mundo já esqueceu.
Sobre o aumento do IPTU, as pessoas tinham, como maior absurdo, o IPTU do Galinheiro, mas o desse ano foi demonstrado, por um vereador nas redes sociais, que foi mais de 900%, o aumento da cobrança de uma casa em Jardim Catarina.
Qual foi a última vez que aconteceu capina e varrição na rua deste imóvel para contemplar esse aumento? As escolas e creches municipais da região são refrigeradas em todos os ambientes? Os profissionais do município foram treinados para atuarem em caso de necessidade da Lei Lucas? O que melhorou 900% na região?
Reflorestamento, manutenção das margens de rios e córregos, dragagens, Educação Ambiental, separação das águas pluviais com esgoto, ligação das redes de esgoto com as ETEs – Estação de Tratamento de Esgoto, maior cobertura vegetal nas ruas e os Jardins de Chuva podem ajudar a melhorar, e muito, a cidade. Sinceramente, lamento e considero que não haja interesse efetivo por parte de quem, real e efetivamente, tem o poder de mandar.
Olho para as cidades em torno e concluo que - aqui é o laboratório do mal, aonde se chegam para ficar milionárias(os) ou até mesmo bilionárias(os) e deixam o povo num purgatório eterno. Aqui é o laboratório do mal!

Oswaldo Mendes é professor.
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