De volta ao século 19: Argentina aprova jornada de trabalho de 12 horas e país explode em greve
- Jornal Daki

- há 3 horas
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Reforma, considerada "regressiva e inconstitucional" pela central sindical argentina CGT, reduz indenizações, amplia a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito de greve

A Argentina enfrentou nesta quinta-feira (19) uma greve geral marcada pelo cancelamento de voos, paralisação do transporte público, protestos nas ruas e tensão política em torno da reforma trabalhista do governo do ultradireitista Javier Milei, que prevê jornada de até 12 horas e restrições a direitos.
A paralisação de 24 horas, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), começou à meia-noite no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovou o projeto por 135 votos a 115, ampliando o conflito social no país.
Trata-se da quarta greve geral desde o início do governo Milei, com desdobramentos dentro e fora da Argentina.
Cancelamento de voos e impacto internacional
O impacto foi imediato na aviação. A Aerolíneas Argentinas cancelou 255 voos, afetando cerca de 31 mil passageiros e gerando prejuízo estimado em US$ 3 milhões. No Brasil, ao menos 62 voos foram suspensos entre chegadas e partidas nos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Guarulhos, em São Paulo.
Trens e metrôs também pararam, poucas linhas de ônibus continuaram operando, bancos fecharam e a atividade comercial e produtiva foi reduzida, enquanto jogos da Liga Profissional de Futebol foram suspensos. Alguns trabalhadores autônomos e setores específicos mantiveram atividades parciais.
Segundo a CGT, a adesão foi “muito significativa”, com participação estimada em 90% e envolvimento de 13 sindicatos, incluindo trabalhadores portuários, bancários, do comércio, do setor público e sindicatos de transporte de passageiros. A estratégia sindical buscou esvaziar os principais centros urbanos do país.
Reforma trabalhista no centro da crise
O projeto aprovado prevê redução de indenizações, flexibilização das regras de contratação, mudanças no sistema de férias, possibilidade de pagamento de salários em moeda estrangeira, ampliação da jornada padrão de oito para 12 horas e limitação do direito de greve.
O texto ainda deve retornar ao Senado para ratificar alterações, incluindo a retirada de um artigo que permitiria reduzir salários durante licença médica. A reforma já havia sido aprovada anteriormente pelos senadores em meio a protestos intensos.
“Esta greve teve uma adesão enorme, com mais de 90% da atividade paralisada. Acho difícil chamar de modernização algo que nos faça retroceder 100 anos”, disse Jorge Sola, secretário-geral do Sindicato do Seguro. “As medidas de força continuarão aumentando porque o projeto não fortalece direitos dos trabalhadores.”
Sindicatos afirmam que a mobilização ocorre em meio a sinais de retração industrial, com fechamento de cerca de 21 mil empresas e perda de aproximadamente 300 mil empregos desde dezembro de 2023. O encerramento da fábrica da Fate, principal fabricante de pneus do país, com demissão de mais de 900 trabalhadores em Buenos Aires, foi citado como exemplo da perda de competitividade diante da abertura das importações.
Protestos, confrontos e reação do governo
Milhares de manifestantes se concentraram nos arredores do Congresso, onde houve confrontos com a polícia. Após um ato inicialmente pacífico, garrafas e pedras foram lançadas contra agentes, que reagiram com canhões de água e gás lacrimogêneo.
Os incidentes foram breves, mas mantiveram a tensão nas ruas. Na semana anterior, protestos semelhantes contra a reforma terminaram com violência e cerca de 30 detenções.
O governo minimizou os efeitos da paralisação e criticou a atuação sindical. “A greve é bastante perversa porque corta o meio de transporte e impede quem quer trabalhar”, disse o chefe de Gabinete, Manuel Adorni, afirmando que os sindicatos têm alta rejeição popular.
O presidente Javier Milei estava fora do país durante a greve, participando, em Washington, de eventos ligados ao Conselho da Paz lançado por Donald Trump. Paralelamente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou apoio às reformas e pediu que o governo “mitigue os custos de transição” associados à abertura econômica.
Via DCM.
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