Era óbvio que iria acontecer o pior
- Jornal Daki

- há 5 dias
- 4 min de leitura
Por Oswaldo Mendes

E vai se repetir, se nada for alterado.
Dia 18 de maio, publicamos aqui no Jornal Daki, uma matéria onde denunciávamos as condições daqueles que tentam ou tem plenas condições de buscar a regularidade de uma Carteira de Habilitação. O nome do artigo era “O direito do pobre de ter uma Carteira de Habilitação”.
Um incidente, repetido por diversas vezes, virará um acidente. É probabilidade. Se nada for alterado, vai repetir.
Causa e efeito. Diagrama Espinha de Peixe ou Diagrama de Ishikawa. Se nada for feito para modificar as causas raízes teremos mais e mais desfechos relatados nas páginas policiais.
Se formos nas respostas fáceis e populistas sempre teremos: Se correr, atira!
Se adotarmos uma condição em que diversos atores da Sociedade têm responsabilidades sobre a população mais pobre, teremos outras respostas. Um programa de televisão faz propaganda de bets e é contra programas sociais, por exemplo.
Quem faz propaganda de bets também puxa o gatilho. A população mais pobre vem sendo enganada que vai melhorar de vida com esses jogos. Assim a população se endivida, não consegue pagar suas contas, é realimentada a ilusão por esses midiáticos e as pessoas, por grave dissonância cognitiva, caem no golpe.
Outro exemplo é que muitos ditos cursos tem uma ação reativa, se aparecer alunos, eles farão os cursos. Tem que buscar almas. Ir aonde o povo está. Tem que levantar os glúteos da cadeira e ir buscar alunos nos guetos, nas favelas, pois quem lá está, muitas vezes, está preso em um paradigma.
Essas motocicletas são, quase sempre, utilizadas como ferramentas de trabalho, complementação de renda familiar e pequenos deslocamentos. Na maioria das vezes dentro de uma comunidade. Tendo em vista os altos custos para se tirar uma carteira e a legalização documental do veículo, há uma multidão de pessoas que transitam com pendências documentais e que tentam de todas as formas, não se deparar com blits, pois se sua moto for levada para o depósito, sua perda seria muito maior. Em suma, um gigantesco problema sociopolítico.
Não se faz a Gestão da Mudança com frase de efeito ou somente publicando editais em jornal. Isso é embromation!
A Gestão de Mudança é um projeto a ser aplicado e contem fases:
a- Criar um senso de urgência;
b- Estabelecer uma aliança;
c- Desenvolver visão a estratégia da mudança;
d- Empoderar pessoas e delegar novas tarefas;
e- Comunicar as conquistas de curto prazo;
f- Manter o objetivo, se possível com o mesmo ritmo, e
g- Adotar novos métodos de cultura.
O caso é agravado com a baixa escolaridade, a cultura, as telas, recompensa imediata e a dopamina, em suma: a coisificação.
Agregue-se a este quadro de penúria, temáticas como moral, bons costumes, religião e o teocentrismo. Quadro perfeito para exploradores.
São Gonçalo tem em torno de 110 mil pessoas que não possuem Carteira de Habilitação e cerca de 70 mil que dirigem sem a citada habilitação, por exemplo.
O ex-governador não assinou o termo que aceitava no RJ os critérios do CNH do Brasil, o que dava outras opções à população para conseguir, por exemplo, conseguir uma habilitação, que anteriormente sairia em torno de quase 5 mil reais.
O atual Governador, ao tomar conhecimento dessa pendência e dos seus efeitos prejudiciais, logo buscou resolver e, deste modo, o Detran RJ publicou em 6 de maio de 2026 a Portaria DETRAN RJ 858, aceitando e reduzindo muito os custos de uma Carteira de Habilitação, conforme a Resolução CONTRAN 1020/2025.
Foram meses de processo engavetado e que também prejudicou a população e nessa hora nota-se que o puxar do gatilho foi um ato conjunto. Muitas pessoas de colarinho branco e nas salas de ar-condicionado participaram.
Quem mora no Anaia, Meia Noite, Itaitindiba, Praia da Luz, Manoel da Ilhota, Luiz Caçador, Anaia, Alma, Engenho do Roçado, Quebradas, Focinho de Porco, Engenho Pequeno não tem a mínima condição de fazer um curso à noite no Barreto, por exemplo, e retornar para casa às 22:00 horas.
Qual o motivo? Para iniciar não tem condução. Meios para ir e vir. Não tem ônibus. O sistema de transporte só funciona nos horários de rush. O lucro para esses empresários é financeiro e não social. Os denominados “ônibus sereno” para a maioria dos bairros acabaram há muito tempo. Da fiscalização não se vê resultado. Poucos funcionários de carreira e muito indicados políticos. Muitos puxaram o gatilho junto.
Uma mãe-solo, após trabalhar das 08:00 às 17:00 horas tem que retornar para casa e cuidar do seu filho. Como vai fazer um curso? E os engravatados continuam dizendo que não tem alunos. Ou será que não tem meios para os alunos fazerem os cursos?
Com relação às causas descritas no citado Diagrama de Ishikawa temos, por exemplo:
Mão de Obra: Falta de treinamento, falhas de comunicação.
Máquina: Equipamentos desatualizados ou quebrados.
Material: Insumos de baixa qualidade ou defeituosos.
Método: Processos mal definidos ou burocráticos.
Medida: Falhas na aferição de dados, medidas ou falta de métricas.
Meio Ambiente: Condições físicas, o ambiente físico, layout ou clima organizacional.
Já existe na Sociedade um “pré-conceito” por certas condições da melanina, do local onde se frequenta, de onde mora e dos indicadores externos, por exemplo, o cabelo vermelho.
Se mantivermos as mesmas condições, a resposta será repetida, pois o gatilho é o efeito e não a causa.
Quem são os atores - Stakeholders - deste processo? Governo, Sociedade, Terceiro Setor, Empresas – públicas e privadas, Agentes Políticos, Órgãos de Fiscalização e Controle, Mídia escrita, falada e televisionada e Imprensa.
Reescrevo. A adoção de “Instrutor Autônomo” atuando nas Comunidades para buscar e treinar pessoas para poder tirar a habilitação pode ser o início.
Conteúdos programáticos como cidadania, direção defensiva e a legislação de trânsito podem salvar vidas, reduzir o quantitativo de pessoas nos IML’s, cemitérios e no HEAT.
Nessa hora mais uma vez me lembro de Pilatos e o ato mais famoso de sua vida: Lavar as mãos. O efeito, todos já conhecemos e se repete a cada dia.
Ou diversas pessoas que na homilia bradam: “Errei muitas vezes, por pensamentos, palavras, atos e omissão”. Será que não entendem o que essa frase significa ou é o pior mesmo!
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Oswaldo Mendes é professor.








































































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