Fim das bets ameaça fortuna de influencers que lucram com miséria alheia
Medida provisória anunciada por Lula proíbe atuação das casas de apostas e atinge contratos milionários de influenciadores que promovem plataformas nas redes sociais

O anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que pretende proibir a atuação das bets no Brasil atinge um mercado que transformou influenciadores digitais em garotos-propaganda milionários das apostas. Criadores com milhões de seguidores construíram uma fonte lucrativa de receita promovendo plataformas que disputam o dinheiro de brasileiros atraídos pela promessa de ganhos rápidos.
Lula confirmou que vai assinar uma medida provisória para impedir a atuação das casas de apostas no país. Com a mudança, as empresas não poderão oferecer nem intermediar apostas, e a publicidade do setor também será atingida. Isso significa o fim das tradicionais "publis" de bets e de modalidades como o "Jogo do Tigrinho", caso o texto entre em vigor nesses termos.
A medida coloca sob ameaça contratos milionários de influenciadores que emprestaram fama, audiência e credibilidade às empresas do setor. Enquanto famílias acumulavam perdas e o avanço dos jogos de azar se tornava motivo de preocupação social e de investigação no Congresso, celebridades digitais recebiam cifras elevadas para levar seguidores às plataformas.
Com mais de 36 milhões de seguidores no Instagram, Carlinhos Maia tornou-se um dos principais nomes associados à publicidade de apostas. O influenciador divulga empresas como Blaze e Esportes da Sorte. Seu nome chegou à CPI das Bets no Senado em 2025. A relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), mencionou reportagens segundo as quais contratos do influenciador com empresas do setor poderiam alcançar R$ 40 milhões por ano. Convocado, ele não prestou depoimento.
A influenciadora Malévola Alves também utiliza suas redes para divulgar plataformas ligadas ao "Jogo do Tigrinho". Com cerca de 700 mil seguidores, ela publica links de acesso aos jogos e já teve contas derrubadas após denúncias.
MC Mirella é outro nome conhecido. Patrocinada pela Blaze, a cantora provocou críticas em 2023 ao divulgar a empresa enquanto estava no hospital para o parto da filha. O marido, Dynho Alves, também promove a plataforma.
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