Círculo milionário: Secretaria de Douglas contrata empreiteira, que compra da pedreira, que paga empresa de Douglas
Relatórios enviados ao Inea mostram Santa Edwiges entre principais fornecedoras do MUVI e de outras duas obras; empresa pertence à família do deputado Altineu Côrtes
Por Rodrigo Melo

A Mineração Santa Edwiges, pertencente a familiares do deputado federal Altineu Côrtes (PL), forneceu cerca de 300 mil toneladas de saibro e granito para obras da Secretaria estadual das Cidades durante a gestão de Douglas Ruas (PL), candidato ao Governo do Rio. Os dados constam em relatórios enviados pela própria pedreira ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e foram revelados nesta sexta-feira (25) pelo jornal O Globo.
Os documentos identificam como destinos do material o MUVI, em São Gonçalo, as obras da Avenida 22 de Maio, em Itaboraí, e a pavimentação de Bom Retiro, também em São Gonçalo.
Em 2024, 151 mil toneladas produzidas pela Santa Edwiges foram destinadas ao MUVI e à Avenida 22 de Maio. No ano seguinte, outras 143 mil toneladas tiveram como destino o MUVI e Bom Retiro. Os fornecimentos aparecem nos relatórios vinculados aos consórcios responsáveis por cada obra.
As três intervenções já consumiram R$ 766 milhões do governo estadual. Douglas assumiu a Secretaria das Cidades em setembro de 2023 e permaneceu no cargo até março deste ano. Durante sua gestão ocorreu a maior parte dos pagamentos e foram assinados aditivos nos contratos.
A revelação ganha outro peso diante de informação publicada pelo Metrópoles: a Santa Edwiges contratou a Saur Construção, empresa de Douglas, para transportar agregados minerais, entre eles brita, pedra e areia. A Saur recebeu ao menos R$ 1,5 milhão da pedreira entre 2024 e 2025. Os documentos conhecidos, porém, ainda não permitem afirmar que o material transportado pela empresa de Douglas tenha sido aquele destinado às obras da Secretaria das Cidades.
A Santa Edwiges afirma que forneceu os materiais aos consórcios por preços inferiores à tabela da Emop e que o negócio representou menos de 1,5% do valor dos contratos. A empresa nega irregularidades.
Douglas afirma que a escolha dos fornecedores cabia exclusivamente às empresas vencedoras das licitações e que não interferiu nas contratações. Sobre a Saur, já havia declarado que sua empresa presta serviços a clientes privados e não possui vínculo com contratos públicos.
Os novos documentos, entretanto, acrescentam uma peça à relação comercial já conhecida: a pedreira que pagou à empresa de Douglas pelo transporte de agregados estava, simultaneamente, entre as fornecedoras de material para obras executadas pela secretaria comandada por ele.
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