MP incorpora denúncia do Sepe no inquérito civil sobre comissionados nas escolas de São Gonçalo
- Jornal Daki

- há 1 dia
- 2 min de leitura
Sindicato denuncia que milhares de comissionados ocupam vagas de merendeiros e inspetores, enquanto concursados esperam na fila. Cinco escolas têm zero servidores efetivos
Por Rodrigo Melo

Uma escola municipal de São Gonçalo tem 26 funcionários com cargo de chefia, mas nenhum servidor efetivo para fazer o trabalho como cozinhar, limpar ou cuidar dos alunos. O retrato absurdo não é isolado. Em outras quatro unidades da rede, a mesma cena se repete: dezenas de "chefes", zero efetivos, concursados que aguardam na fila para serem chamados pela prefeitura de São Gonçalo, governada pelo prefeito Nelson Ruas (PL), via Secretaria de Educação (Semed).
O Sindicato dos Profissionais de Educação (SEPE) levou o caso ao Ministério Público. A denúncia foi acolhida e já virou inquérito. O que os dados mostram? 1.229 servidores ocupam o cargo comissionado de "Chefe de Departamento", mas na prática atuam como merendeiros, inspetores, auxiliares de creche ou cuidadores de alunos especiais – funções que, por lei, deveriam ser exercidas por concursados.
Os "chefes" são contratados com o Símbolo CC-1, com remuneração de 1 salario mínimo (R$ 1.500,00), sem os descontos.
O tamanho da distorção é revelador: para essas mesmas funções, a prefeitura conta com apenas 472 servidores efetivos em toda a rede. Ou seja, há quase três vezes mais comissionados do que concursados fazendo o mesmo serviço.
E o que acontece com quem passou no concurso? Há 19 auxiliares de creche, 64 inspetores e 78 merendeiros aprovados dentro do número de vagas. Estão na fila, esperando a convocação que nunca vem. Enquanto isso, a prefeitura segue lotando as escolas de chefes de departamento que, na prática, não chefiam nada.
A situação ganha contornos mais graves porque o Tribunal de Justiça do Rio já declarou essa prática inconstitucional. Em junho deste ano, o TJ-RJ decidiu que esses cargos em comissão só podem ser usados para funções de direção, chefia e assessoramento – não para servir merenda ou vigiar corredor.
Para o diretor do SEPE, Matheus Guimarães, a incorporação da denúncia ao inquérito do Ministério Público é uma vitória.
"Nossa denúncia foi reconhecida pelo Ministério Público como legítima e relevante. O fato de ter sido incorporada a um inquérito civil já em curso significa que as irregularidades agora fazem parte de uma investigação formal contra a Prefeitura", afirmou.
A denúncia, de acordo com o Sepe, foi protocolizada em 21 de agosto de 2026, e foi embasada em levantamento realizado pelo SEPE/RJ no Portal da Transparência do Município.

Mesmo com a decisão do Tribunal de Justiça, a prefeitura continua realizando livremente nomeações.
O MPRJ deve acompanhar o cumprimento da decisão e, se for o caso, adotar novas medidas para garantir que a administração municipal se adeque à determinação judicial.
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