Como dar hoje o grito da independência?
Por Rofa Rogério Araújo

Na passagem de mais uma data cívica e histórica, no Brasil, de 7 de setembro, é possível fazer uma reflexão de “Como dar hoje o grito da Independência?”
Entoar esse gripo, atualmente, significa exercer a cidadania com autonomia e compreender a história real do país além dos mitos tradicionais. É público e notório que quem construiu um mito em relação a esse famoso grito foi uma pintura da obra de Pedro Américo, retratando Dom Pedro I em um cavalo branco imponente com roupas de gala. Na realidade, alguns historiadores indicam que ele estava montado em uma mula, vestindo roupas simples de viagem e sofrendo com problemas de saúde (uma dor de barriga, por exemplo).
O evento da célebre frase “Independência ou Morte” foi um desabafo político pragmático diante das pressões de Portugal e não propriamente um grande espetáculo de massas, como retratado no citado quadro.
Se ampliarmos mais a análise é possível dize que dar o “grito da independência”, hoje, pode significar praticando a autonomia financeira, organizando seu orçamento e buscando estabilidade econômica pessoal, familiar e profissional.
Ter um senso crítico, questionando narrativas prontas e buscar informações verificadas e não sair por aí espalhando ou reencaminhando fake News mais diversos, mesmo que esses nos agradem ou sejam de nossa aprovação no conteúdo.
Uma participação cidadã, acompanhando as decisões políticas e sociais que impactam o nosso dia a dia, não sendo influenciado por amigos ou maioria que se acham os melhores do mundo ou sabedores do que é mais adequado para um país inteiro, apenas por sua análise para lá de tendenciosa.
Como disse, certa vez, o dramaturgo Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. Cada com sua consciência e não com a dos outros para que possa decidir a sua vida e de um país inteiro, pelo voto pessoal para o bem comum e não por ideias de um grupo de esquerda, centro ou direita.
Gritar independência, também, significa não ser dependente emocionalmente o outro. Quantos crimes ocorrem pela não aceitação de uma separação pelo divórcio ou por morte. Ninguém vive sozinho, mas o outro nos completa, mas não pode nos fazer dependente.
Quando um filho adolescente ou jovem quer ser “independente”, mas não tem nem condições para isso, financeira e emocionalmente, pode significar que os pais não o prepararam para a vida. É preciso fazer essa preparação e não os deixar reféns, sem amparo de suas ausências.
Que possamos a cada dia mais nos inspirar no histórico grito de “Independência ou morte”, dado por Dom Pedro I, em 7 de setembro de 1822, nas mais diversas situações de nossa vida coletiva em relação ao Brasil, política, econômica e social e em nossa vida, no financeiro, emocional e espiritual para que vivemos cada vez melhor e mais seguros num mundo tão inseguro e com diversos perigos à nossa espreita.
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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo.








































































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