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O carro do troca-troca levou Itaipu - por Erick Bernardes


Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Quando eu era menino, aguardava ansiosamente a Kombi que trocava pintinhos amarelos por garrafas, garrafões e ferro velho. Enxergava-se ao longe o automóvel anunciando os pintos de chocadeira vacinados, para alegria da criançada. Chamavam a isso de carro do troca-troca. Dois garrafões valiam um pintinho. Panela velha ou motor queimado de geladeira, ganhava-se três pintos. O carro do troca-troca, tão aguardado pela moçada, estacionava lá no meio da rua.


Mas crescemos, não é mesmo? Na melhor das hipóteses crescemos — e de repente ambicionamos as coisas maiores e mais valiosas pertencentes a outrem. Isso aí, cobiçamos o bem alheio — e no final permuta-se tudo. Porém, ambições de tal espécie não são só privilégios de nós, pobres cidadãos comuns. O que quero dizer com isso? Bem, é que lendo por aí, deparei-me com a história de que Itaipu já pertenceu ao município de São Gonçalo. Isso mesmo, as cercanias, as praias, as matas, os arredores, tudo isso foi um dia patrimônio gonçalense.


Há de se ressaltar que a maldita mania de trocar as coisas ofereceu prejuízo a SG, verdade. Em 1944 levamos desvantagem, pois o genro de Getúlio Vargas, o famoso Amaral Peixoto, no intuito de querer aparecer, meteu-se na fanfarronice de presentear certo amigo renomado com um cartório localizado nas cercanias de Itaipu, quando ainda configurava território amarantino. O referido amigo quisera ser dono de um cartório em Niterói, na época capital do estado. O caso descambou para o troca-troca: Itaipu vai pra lá (Niterói), Neves vem pra cá (SG). E assim se deu. Como diriam na minha época, a nossa cidade "foi às tengas", "tomou uma beiça", isso sim.


Lendo um texto do amigo Mateus Graciano, deparei com a referência de que o chefe do executivo de SG, o ex-prefeito João Bravo, mencionara esse fato em algum tipo de vídeorreportagem. Interessante, necessário reconhecer a raridade da informação. Pois bem, vamos à fonte, liguemos para o ex-prefeito e tiremos a prova.


— Alô, Bravo, podemos falar pessoalmente sobre Itaipu e Neves?


E assim, desse jeito mesmo, o caso se confirmou.


A troca histórica de fato aconteceu. Não eram pintinhos, mas pagamos o pato, e Niterói cantou de galo por causa dos royalties do petróleo.


Fontes: https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo/itaipu-ja-foi-de-sao-goncalo/

 

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Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.




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