Omissão e irresponsabilidade marcam fim de ato de Nikolas em Brasília
- Jornal Daki
- há 21 minutos
- 3 min de leitura
Queda de raio em cima de apoiadores do político quase termina em tragédia: mas de 30 feridos, 8 em estado grave

O que seria o encerramento simbólico de uma caminhada de centenas de quilômetros liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) terminou em correria, gritos e ambulâncias abrindo caminho entre apoiadores feridos. A queda de um raio nas proximidades do evento, em área aberta de Brasília, deixou dezenas de pessoas machucadas e levantou uma pergunta inevitável: quem sustentou politicamente e institucionalmente uma mobilização mantida sob condições climáticas já classificadas como perigosas?
De acordo com os dados divulgados pelos serviços de emergência, 42 vítimas estavam estáveis, conscientes e orientadas. Outras 30 precisaram ser encaminhadas ao Hospital de Base do DF e ao Hospital Regional da Asa Norte. Oito apresentavam estado grave. Houve registro de queimaduras, especialmente em mãos e tórax, além de torções e quadros de exaustão térmica ligados ao esforço físico prolongado e ao tempo instável.
Não se tratava de uma mudança repentina do clima. Desde a sexta-feira anterior, o Distrito Federal estava sob alerta laranja para chuvas intensas, com risco de descargas elétricas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Manter um ato político de grande porte em campo aberto, com estruturas metálicas elevadas — como guindastes e grades — significou expor milhares de pessoas a um cenário já descrito como perigoso por órgãos técnicos.
Testemunhos e registros em vídeo indicam que a descarga elétrica atingiu um guindaste que sustentava uma bandeira, estrutura que funcionou, na prática, como ponto de atração para o raio no meio da multidão. Manifestantes que tentavam se proteger da chuva acabaram atingidos ou feridos na confusão que se seguiu.
O Corpo de Bombeiros do DF atuou rapidamente, mobilizando dezenas de profissionais e viaturas. Ainda assim, a dimensão do atendimento revela o tamanho do risco ao qual o público foi submetido.
Responsabilidade política e silêncio no palanque
A discussão sobre responsabilidade não se limita ao instante do raio. Minutos depois de apoiadores serem retirados em macas, o discurso final do deputado priorizou ataques a instituições e pautas eleitorais. Não houve referência direta às pessoas que, naquele momento, estavam sendo socorridas ou levadas a hospitais.
Além de Nikolas Ferreira, outros parlamentares participaram da mobilização e da organização do ato na capital, entre eles a deputada Bia Kicis (PL-DF). A decisão de manter a programação mesmo com alertas meteorológicos em vigor passa, portanto, por um conjunto de lideranças que convocaram público, estruturaram o evento e definiram sua continuidade.
O apoio do setor produtivo
A caminhada que terminou em Brasília também recebeu respaldo público de entidades de peso do setor produtivo de Minas Gerais. Federações ligadas à indústria, ao comércio, ao agronegócio e a associações empresariais divulgaram nota defendendo mobilizações em nome da “liberdade” e da participação cívica. O texto não citava nominalmente o evento, mas fazia referências claras à iniciativa liderada por Nikolas.
Assinam o documento entidades como FIEMG, Fecomércio MG, FAEMG, Federaminas, FCDL-MG e CIEMG. Ao oferecerem apoio institucional e simbólico à mobilização, essas organizações ajudaram a conferir legitimidade política ao ato e a ampliar seu alcance.
Um desastre que não veio do nada
Tempestades com descargas elétricas são fenômenos previsíveis e monitorados. Protocolos básicos de segurança recomendam evitar áreas abertas, estruturas metálicas altas e aglomerações durante esse tipo de condição. Ignorar esses parâmetros em nome de um ato político transforma um risco conhecido em escolha consciente.
O resultado foi uma cena que contrasta com o discurso de celebração planejado: pessoas feridas, equipes médicas sobrecarregadas e famílias buscando informações em meio ao caos. Mais do que um episódio isolado, o caso escancara como decisões políticas, apoio institucional e desprezo por alertas técnicos podem convergir para produzir tragédias anunciadas.
A apuração sobre responsabilidades legais e administrativas ainda deve avançar. No plano político e moral, porém, a pergunta já está posta: quem convocou, quem incentivou e quem deu aval público para que milhares de pessoas permanecessem expostas a um perigo que já estava no radar?
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