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Trabalhadores: vamos sair desse pesadelo! - por Dimas Gadelha


Metalúrgicos de Niterói em 2016 lutando por seus empregos após a quebradeira causada pela Lava Jato/Foto: Reprodução Internet
Metalúrgicos de Niterói em 2016 lutando por seus empregos após a quebradeira causada pela Lava Jato/Foto: Reprodução Internet

Mais um 1º De Maio, Dia do Trabalhador, e mais um ano em que temos cada vez menos trabalhadores formais no mercado de trabalho. Isso é ruim, né? Mas pode piorar.


Se por sorte um desempregado consegue um trabalho de carteira assinada, esse vem com menos benefícios e com salário, em média, com valor 18% menor de quem anteriormente ocupou a mesma função.


Assim: um trabalhador, com ensino médio, foi demitido ganhando R$ 2 mil com benefícios de vale transporte e plano de saúde, por exemplo. Quem entra no seu lugar, mesmo com curso superior, aceita receber R$ 1.640,00 sem plano de saúde e sem dissídio coletivo porque a nova legislação trabalhista arrancou sua proteção sindical.


Mas com esse governo, tudo pode piorar ainda mais. Diferentemente de outras crises vividas no Plano Real, quando o desemprego segurava a inflação, ocorre hoje o contrário. Ao mesmo tempo que não tem emprego para todo mundo, forçando a retração salarial, os preços sobem corroendo o poder de compra, principalmente dos mais pobres, que têm renda familiar de até cinco salários mínimos.


E não se vê ninguém da equipe econômica vir à televisão ou redes sociais para explicar como vamos sair dessa. E muito menos o presidente da república, preocupado apenas em atacar as instituições, criar confusão e espalhar mentiras todos os dias em vez de trabalhar pelo Brasil e os brasileiros. Segundo estudo divulgado pelo portal UOL nesta semana, esse homem que foi eleito para "mudar o Brasil", lembra? trabalha menos de quatro horas por dia. A gente sabe como se chama gente assim...



De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no Brasil recuou de 14% para 11% no pós-pandemia. O que parece ser uma boa notícia. Mas não é, porque a nova metodologia também considera os informais e os trabalhadores intermitentes. Uma categoria de trabalho fracassada da reforma trabalhista.


No Rio de Janeiro, com histórico de forte informalidade, essa taxa só cresceu, e cresceu com cada vez mais ocupação precarizada. Simbolizada na grande massa de entregadores e motoristas de aplicativos empurrados para essa ocupação após o desmantelamento da cadeia de petróleo e gás e pela desindustrialização.


Hoje, o Rio já foi ultrapassado por Santa Catarina, que possui um PIB per capita maior devido sua complexidade econômica puxada pela indústria de transformação. O que sobrou para os fluminenses são os empregos na área de serviços, de baixo ou nenhum valor agregado, que remunera mal, como no caso dos supermercados.


Precisamos trabalhar para criar um programa nacional de desenvolvimento, com o Estado à frente como indutor do crescimento e do surgimento de novas vagas, sobretudo em infraestrutura.


Voltar com a política soberana da Petrobras reativando os estaleiros fluminenses para a construção de plataformas e navios, beneficiando toda as cidades do entorno da Baía de Guanabara. Também precisamos rever a reforma trabalhista que não gerou emprego nenhum. Só tirou direitos.


E tudo isso será decidido este ano. Eu acredito no Brasil. E em quem constrói esse Brasil: Nós, os Trabalhadores!


***

Toda a minha solidariedade às famílias gonçalenses mais uma vez atingidas por alagamentos, deslizamentos e pelo eterno descaso do poder público com esse sofrimento que nunca termina. Nem com R$ 1 bilhão em caixa para investimento.

 

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Dimas Gadelha é médico sanitarista, secretário de Gestão e Metas de Maricá e ex-secretário de Saúde de São Gonçalo.



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