União Europeia aprova acordo com Mercosul; França, isolada, protesta
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União Europeia aprova acordo com Mercosul; França, isolada, protesta


Ursula von der Leyen, presidentre da UE, Lula e Emmaniel Macron, presidente da França. Foto: reprodução
Ursula von der Leyen, presidentre da UE, Lula e Emmaniel Macron, presidente da França. Foto: reprodução

Os países da União Europeia (UE) aprovaram, nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, considerado o maior tratado desse tipo no mundo, reunindo um mercado estimado em cerca de 722 milhões de consumidores. A decisão, tomada pelos embaixadores dos 27 Estados-membros, abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o pacto na próxima semana, em Assunção, no Paraguai.


O tratado ainda precisa passar por uma formalidade: a confirmação dos votos pelos governos dos países da UE, o que deve ocorrer nas próximas horas.

Apesar disso, a aprovação alcançada aponta que o pacto avançará mesmo diante da forte oposição liderada pela França e outros países como Polônia, Irlanda e Hungria, que temem impactos sobre a agricultura local.


Segundo a Folha de S.Paulo, a Alemanha e a Espanha foram fundamentais para reunir apoio de uma maioria qualificada, necessária para a avaliação positiva. Com isso, a expectativa é que von der Leyen viaje ao Paraguai na próxima semana para a assinatura oficial do acordo no dia 12 de janeiro.


O pacto prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, o que deve facilitar a circulação de produtos industriais e agrícolas. Com a redução de barreiras alfandegárias, estima-se que as exportações europeias para os países do Mercosul possam crescer até 39% e gerar cerca de 440 mil postos de trabalho no continente europeu.


O acordo entre UE e Mercosul teve suas negociações iniciadas em meados de 1999 e consolidou-se como uma das negociações mais longas da história da integração comercial mundial, com mais de duas décadas de debates e ajustes. O Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai representam o Mercosul, enquanto a UE reúne os 27 Estados-membros.


Apesar dos sinais verdes no Conselho da UE, a proposta ainda enfrenta resistência interna, especialmente na França. Agricultores franceses protestaram em Paris com tratores bloqueando ruas, demonstrando descontentamento com a possibilidade de concorrência de produtos agrícolas sul-americanos mais baratos.


O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a oposição do país ao acordo, mesmo após concessões oferecidas pela Comissão Europeia, como subsídios e mecanismos de salvaguarda para proteger setores sensíveis.


Os opositores planejam novas estratégias para atrasar ou bloquear o acordo no Parlamento Europeu, que precisa ratificar o pacto até abril, ou até mesmo recorrer ao Tribunal de Justiça da UE, o que poderia prolongar o processo de implementação por anos.


A história comercial entre os blocos já reforça a importância dessa aproximação: em 2024, o volume de transações comerciais entre Mercosul e UE somou cerca de € 111 bilhões, com a UE exportando principalmente máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto o Mercosul se destacou em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.


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