Delação da Aegea cita repasses ao Governo do Rio e lança sombra sobre a privatização da Cedae
- Jornal Daki
- há 8 horas
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Relato homologado no STJ menciona pagamentos milionários ao governo fluminense justamente no período de expansão do grupo no saneamento. As revelações podem reabrir questionamentos sobre a lisura do leilão da Cedae em 2021 — o maior processo de concessão do setor no país — e pressionar contratos que hoje sustentam a reestruturação financeira do Estado

Na delação homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro de 2025, um ex-presidente da Aegea detalha como a holding teria operado um esquema amplo de pagamento de propinas para garantir e manter concessões de saneamento pelo país — e inclui repasses diretos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e a uso de um escritório de advocacia como “cofre” para distribuir recursos a lideranças políticas da Região dos Lagos no estado.
Segundo os documentos, além dos relatos sobre Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, o delator afirma que a Aegea efetivou pagamentos que teriam chegado a R$ 8 milhões em espécie ao governo fluminense, num contexto em que o grupo consolidava sua atuação no setor de saneamento. As informações foram publicadas hoje (12) no UOL.
Esse trecho do depoimento ganha uma nova dimensão quando confrontado com o processo de privatização da Cedae, promovido pelo Governo do Rio de Janeiro em 2021, no qual a própria Aegea e a Águas do Rio — subsidiária responsável por operar serviços de água e esgoto em 27 municípios fluminenses após o leilão — foram vencedoras de blocos da concessão.
O leilão arrecadou cerca de R$ 22,7 bilhões, com participação direta do governador e de representantes estaduais no evento que marcou a transferência dos ativos da Cedae à iniciativa privada.
Especialistas que já questionaram aspectos do processo de privatização da Cedae apontam falhas e possíveis inconsistências no edital original e nos dados utilizados para estabelecer as condições contratuais — pontos que agora podem voltar ao centro do debate à luz das acusações de pagamento de propina envolvidas com atores diretamente ligados às concessões de saneamento no Rio de Janeiro.
Ao mesmo tempo, o impacto político pode ser significativo: uma delação que associa governo estadual e operadores de contratos de saneamento, justamente num setor que passou por uma das mais emblemáticas privatizações do estado nos últimos anos, pode alimentar críticas e investigações sobre a lisura de todo o processo de concessão da Cedae em 2021 — especialmente se a conexão entre os supostos pagamentos e as decisões de gestão e regulação no estado for corroborada por apurações futuras.
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