Lula e governo do Rio lançam plano conjunto para retomar territórios dominados pelo crime
Estratégia reúne forças federais, estaduais e municipais e começa pelos principais corredores logísticos da capital; aproximação marca mudança na relação entre Brasília e o governo fluminense após a saída de Cláudio Castro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador interino do Rio, desembargador Ricardo Couto, anunciaram nesta sexta-feira (18) um plano integrado para enfrentar organizações criminosas e recuperar territórios sob influência de facções, milícias e jogo do bicho no estado.
O anúncio ocorreu no Complexo da Polícia Rodoviária Federal, em Irajá, e reuniu representantes dos governos federal, estadual e municipal, além da Polícia Federal, PRF, polícias Civil e Militar e Força Municipal.
A primeira etapa terá como prioridade quatro corredores estratégicos: Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e os acessos ao Porto do Rio e ao Aeroporto Internacional do Galeão.
Segundo o Ministério da Justiça, as operações combinarão presença policial, inteligência, investigação criminal, compartilhamento de informações e tecnologias de monitoramento. O objetivo declarado é reduzir roubos de cargas e veículos, receptação e atacar as estruturas utilizadas para circulação de armas, drogas, produtos ilegais e dinheiro do crime organizado.
Além do impacto na segurança pública, o anúncio representa uma mudança política na relação entre o Palácio do Planalto e o governo fluminense.
Durante a gestão de Cláudio Castro, os governos estadual e federal protagonizaram divergências públicas sobre a estratégia de enfrentamento ao crime organizado. Castro defendia uma abordagem mais ostensiva e chegou a apoiar a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Governo federal e Polícia Federal contestavam essa interpretação.
Com Ricardo Couto no comando interino do estado, o cenário mudou. União, estado e município passam agora a apresentar uma estratégia conjunta para a segurança pública justamente a poucas semanas das eleições de 2026.
O componente eleitoral é inevitável: segurança pública está no centro da disputa política fluminense, e Lula intensificou sua presença no Rio na reta final da campanha.
No lançamento, Lula defendeu maior participação federal na segurança pública e afirmou que o enfrentamento ao crime precisa atingir também os responsáveis pelas organizações que operam fora das comunidades.
O Rio será o primeiro laboratório da nova estratégia. Segundo o presidente, caso o modelo apresente resultados, a experiência poderá ser reproduzida em outros estados.
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