Mendonça levanta sigilo de 'Dark Horse', mas mantém em segredo a apuração que envolve Flávio
Ministro blinda Flávio após atender pedido de Fachin

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em 22 de julho a abertura de um inquérito para investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A apuração está relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e envolve o repasse de R$ 61 milhões pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A existência do inquérito só se tornou pública nesta quinta-feira (10), após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinar a liberação parcial do sigilo sobre os processos ligados ao caso Master. No entanto, a decisão de Fachin ressalvou expressamente que permanecem sob segredo os documentos cuja divulgação possa comprometer diligências em andamento.
Na prática, a liberação parcial não retirou de Mendonça o controle sobre a parte mais sensível do caso. A investigação específica sobre o financiamento do filme “Dark Horse” — e, portanto, sobre o próprio Flávio Bolsonaro — continua integralmente sob sigilo. O ministro segue com a palavra final sobre o que pode ser divulgado e o que deve permanecer protegido enquanto as apurações avançam.
O efeito político é direto. A blindagem da apuração sobre Flávio ocorre a poucas semanas da eleição e em meio à crise instalada no STF. Enquanto o inquérito sobre o senador permanece inacessível, as atenções se voltam para o embate entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, desviando o foco das investigações que atingem o candidato do PL.
A Polícia Federal apontou, no pedido de abertura do inquérito, a suspeita de que os repasses de Vorcaro a Flávio tenham sido feitos por meio de “sofisticada blindagem patrimonial e atuação de interpostas pessoas”. O senador nega irregularidades e afirma que o tema está “mais que esclarecido”. A PGR não se opôs à abertura da investigação.
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