Paes larga mão de Lula num improvável segundo turno no RJ
Campanha do PSD orienta aliados a separar eleição estadual da presidencial um dia depois de Lula reclamar que aliado se omitiu no Rio

Se depender de Eduardo Paes (PSD), um eventual segundo turno para o governo do Rio terá Lula cada vez mais distante de sua campanha. Depois de chegar às urnas dosando a associação com o presidente, Paes saiu do primeiro turno defendendo abertamente que a disputa estadual seja separada da presidencial.
“Não será o Flávio Bolsonaro e não será o Lula que vão governar o Estado do Rio de Janeiro”, afirmou Paes ainda na noite de domingo (4), depois de terminar atrás de Douglas Ruas (PL).
A posição virou orientação de campanha. Uma cartilha distribuída aos apoiadores recomenda evitar a nacionalização da disputa e trabalhar com a possibilidade do voto cruzado: Flávio para presidente e Paes para governador. “Diga que dá para votar diferente para presidente e para governador”, orienta o material.
O movimento ocorre justamente quando Lula cobra o contrário. Na segunda-feira (5), durante reunião com aliados, o presidente reclamou da atuação de Paes no primeiro turno. Segundo a Folha, Lula disse que o aliado se omitiu na campanha presidencial no Rio e resumiu a situação com o ditado “quem tudo quer nada tem”.
O distanciamento, porém, não começou depois das urnas. Durante a campanha, Paes já procurava preservar espaço entre eleitores bolsonaristas enquanto mantinha a aliança com Lula. Em São Gonçalo, os dois dividiram o palanque em 24 de setembro, numa ofensiva sobre o principal reduto eleitoral de Douglas.
As urnas apertaram esse cálculo. Douglas recebeu 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes, enquanto Flávio Bolsonaro venceu a eleição presidencial no estado.
Mas o segundo turno estadual pode nem acontecer. Anthony Garotinho, que concorreu com o registro indeferido e recebeu 274.411 votos, desistiu de seu recurso no TSE. A Procuradoria-Geral Eleitoral já se manifestou pela anulação desses votos. Se esse entendimento prevalecer, Douglas ultrapassa os 50% dos votos válidos e encerra a eleição no primeiro turno.
Enquanto o TSE não decide, Paes trabalha para uma disputa que ainda pode existir. E já definiu a estratégia: se houver segundo turno, Lula ficará longe do centro de sua campanha estadual.
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