Até mais, professor

Por Helcio Albano

Dentre tantos talentos, também pintor/Foto: acervo pessoal
Dentre tantos talentos, também pintor/Foto: acervo pessoal

O maior gonçalense vivo, Helter Jerônymo Luiz Barcellos, nos deixou por volta das 2h30 desta segunda-feira (4) por parada cardiorrespiratória no hospital Samcordis, no bairro Estrela do Norte, o mesmo do Abrigo do Cristo Redentor, instituição que presidia. Sua presença na Terra chega ao fim aos 84 anos de vida pra lá de intensa. Tão intensa e abundante que não cabe num obituário.


Helter Barcellos, foi intelectual, poeta, empresário destemido que deu significado nobre ao empreendedorismo, atuando em áreas tantas vezes ingratas e de batalhas inglórias da Educação e da Cultura. Fundou e dirigiu instituições que deram feição moderna à São Gonçalo na área do conhecimento, como a Faculdade de Formação de Professores, hoje FFP-UERJ, o Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (ICBEU) e o Instituto Superior Anísio Teixeira (ISAT).


O que dirá do Colégio São Gonçalo, no Zé Garoto, que fez história com H grande com bolsas de estudo a granel numa época em que o ensino básico não era universalizado e com uma frota de ônibus maior do que de empresas regulares que percorria toda a cidade catando a molecada. Escola onde cursou o primário e o Ginásio, e que depois adquiriu, em 1961, da também icônica e gigante Dona Estephânia de Carvalho para dirigi-la por mais de 40 anos.

Sua contribuição como intelectual-empreendedor, deixou-nos como legado de preservação da memória e apologia do conhecimento a Academia Gonçalense de Letras, Artes e Ciências (AGLAC) e o Instituto Gonçalense de Memória, Pesquisa e Promoções Culturais (Memor).


E sim, Helter também foi político, e como resultado da experiência construiu o maior plano de gestão da Educação e o melhor plano de cargos, carreiras e salários do estado do Rio de Janeiro para os professores da rede municipal. Plano esse construído com os profissionais de ensino que exaltam até hoje a habilidade do Helter politico como secretário de um governo caótico comandado por Henry Charles, no início dos anos 2000.


Bom, é muita coisa. E nem vou falar da sua importância para Niterói e a UFF. Mas, para encerrar, o depoimento de outro candidato a ícone gonçalense, Rui Aniceto Fernandes:


"São Gonçalo amanheceu mais triste hoje. A notícia do falecimento do professor Helter Barcellos entristeceu toda a cidade. O professor Helter foi um bastão da educação e da cultura em nossa cidade. A primeira vez que o vi foi no lançamento do Guia de Fontes para a história de São Gonçalo, de Luis Reznik e Marcia Gonçalves, no longínquo ano de 1999. Naquele momento fez o melhor e mais apaixonado discurso em defesa da história local. Como aluno de história aquele discurso me impactou. Depois descobri que ele fora o primeiro diretor da FFP, na década de 1970 Desenvolvemos vários projetos juntos.


Tive a honra de tê-lo como padrinho na AGLAC. Ainda me lembro do generoso discurso de recepção que fez aquele jovem de 28 anos que ingressara no convívio daquela agremiação. Sempre generoso esteve conosco no projeto Historia Oral Pública, que desenvolvemos no Memorial da Igreja Matriz de São Gonçalo. Em setembro último fui convidado, por ele, para proferir uma palestra no Rotary Clube de São Gonçalo, que presidia. Naquele momento comemoramos seu aniversario. Agradeço a oportunidade de ter aprendido muito com o eterno e imortal Helter Barcellos."


Encerro nada. Aqui, outro texto homenagem, escrito por Erick Bernardes:


São Gonçalo e seus ícones: Helter Barcellos.


Vá na Paz, grande mestre!


Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.


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