Super herói
- Jornal Daki

- 24 de set.
- 2 min de leitura
SÃO GONÇALO DE AFETOS
Por Paulinho Freitas

Neste dia de festa em São Gonçalo, quando o desfile cívico acontecia na Feliciano Sodré, um homem com sua sacola de recicláveis nas costas estava paralisado, emocionado vendo as crianças marchando, as bandas tocando, o público aplaudindo, bolas coloridas ganhando os céus e ele ali, com os olhos cheios de lágrima.
Ficou horas ali. Quando o desfile terminou as pessoas começaram a dispersar. Passavam por ele como se passa por um poste, um banco, um nada. Ele, sua sacola e seus pensamentos começam a caminhar pela, agora quase vazia avenida, recolhendo as latinhas de alumínio, garrafas pet e pedaços de papelão. De vez em quando para, olha para trás e sorri.
Talvez esteja se vendo no desfile. Talvez veja um filho, uma namorada da adolescência. Talvez esteja no palanque das autoridades ou quem sabe só apreciando junto com sua família, como tantas famílias que lá estavam.
No final da avenida, senta numa sombra, acende um cigarro e se deita deixando a mente vagar por aí. Vai passar o dia ali. A noite virá cheia de estrelas para enfeitar seus sonhos e amanhã, é despertar antes do sol para dar mais uma garimpada, vender tudo e começar de novo.
Sem ser notado pelas pessoas, sem ser cuidado pelo poder público, com um passado cheio de sonhos para um futuro que não chegou.
Ele bem que poderia estar estampado numa revista em quadrinhos ou numa serie de TV. Como tantos e tantos que perambulam por este São Gonçalo de Afetos, ele é o Homem Invisível.
Ah meu São Gonçalo! Protegei os filhos de sua terra!
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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor














































































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