Falta material de Lula no Rio e candidato banca do próprio bolso
Após denúncia de Romario Regis, vice-presidente do PT confirma centralização da produção e Edinho Silva admite "erro de planejamento"; Isaac Ricalde promete bancar material do presidente com verba própria

A campanha à reeleição do presidente Lula (PT) enfrenta uma crise de material de propaganda no Rio de Janeiro. A falta de adesivos, bandeiras e panfletos tem gerado descontentamento entre militantes e lideranças locais, que cobram respostas da direção nacional.
O ex-vereador de São Gonçalo Romario Regis (PSB) foi um dos primeiros a denunciar publicamente. Em vídeo, afirmou que "não tem campanha do Lula no Rio" e que a militância "fica refém do que vem na cabeça de compartilhar". Régis também exortou outros candidatos a seguirem o exemplo: "Tem um monte de deputado que tá com o Lula aí, mas não faz campanha do Lula e não tá compartilhando material. Tem que parar essa onda de todo mundo querer usar a imagem do Lula pra pedir voto, mas ninguém faz propaganda pro Lula."
A crítica foi confirmada por Samuel Braun, um dos vice-presidentes do PT estadual. Em vídeo gravado na madrugada desta quinta-feira, Braun admitiu o problema e explicou a origem: a coordenação nacional decidiu centralizar a produção e a distribuição do material em uma única gráfica, diferentemente de 2022, quando os estados tinham protagonismo.
"Nós tentamos produzir esse material aqui no Rio de Janeiro, mas não tivemos autorização. É preocupante, é desesperador", afirmou Braun. "Estamos na metade de setembro e só agora está começando a chegar material no Rio. Sem material de campanha é como querer fazer omelete sem ovos."
A crise chegou à cúpula do partido. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (10), o presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, admitiu um "erro de planejamento" na produção e distribuição de material. Segundo ele, a descentralização para gráficas estaduais "não funcionou" e a produção foi transferida de volta para os grandes centros. Edinho, no entanto, recusou o termo "mea-culpa".
Diante do impasse, Romario Regis procurou o vereador e candidato a deputado estadual pela federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB)-PV) Isaac Ricalde, seu aliado em São Gonçalo. Isaac se dispôs a usar parte dos recursos de sua própria campanha para produzir material do presidente.
Em vídeo ao lado de Romario, o vereador anunciou que vai montar bancas com adesivos e bandeiras de Lula em São Gonçalo e no Centro do Rio. "Não tem nada mais importante do que reeleger o nosso presidente. Vai ter adesivo e bandeira pra toda a militância", afirmou.
Enquanto isso, militância e candidatos se viram como podem — compartilhando conteúdos de forma desorganizada nas redes, imprimindo material por conta própria ou, como no caso de Isaac Ricalde, bancando do próprio bolso a produção de adesivos e bandeiras. Todos pagam o preço de um erro de planejamento da direção nacional do partido, que reconheceu a falha, mas ainda não apresentou um cronograma para normalizar a distribuição.
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