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Mulher que namorou coordenador do MBL diz que ele comparava mulheres a prostitutas e era racista

Veja alguns trechos da entrevista com a ex-namorada de Renan


Reprodução/Twitter
Reprodução/Twitter

DCM - Uma sueca que teve relacionamento amoroso com Renan Santos há 12 anos disse ao DCM que o fundador do MBL (Movimento Brasil Livre) era uma pessoa machista, que identificava mulheres em geral como prostitutas, e racista, que chamava sua trabalhadora doméstica de escrava.


A entrevista foi concedida por escrito e sua reprodução está em posse da reportagem. O nome da mulher, a seu próprio pedido, será mantido em sigilo.


Renan Santos a conheceu na Suécia, em uma das viagens que seu correligionário deputado estadual Mamãe Falei (Podemos-SP) nomeou como “tour de blonde”, em que Renan colocaria em prática “técnicas avançadas” para obter sucesso sexual com mulheres loiras da Europa.


A ex-namorada de Renan afirmou também que, ao contrário dele, a irmã Stephanie e a mãe da família Santos são boas pessoas. Dois dias após a reportagem ter procurado a mulher para falar sobre o tema, o próprio Mamãe Falei anunciou que o amigo Renan tivera sim uma namorada sueca, que conhecera em uma viagem à Europa, mas que não em uma viagem com objetivos sexuais, como teria erroneamente dado a entender.


A sueca que se envolveu com Renan Santos diz que não está nem um pouco surpresa com esse caso de machismo que agora veio à baila.


“E ele ainda é muito racista”, diz ela, que completa: “Fiquei muito triste quando soube que ele havia se tornado um político. Mas sua irmã e sua mãe são boas pessoas e não têm as ideias dele”.


“Era extremamente racista. Ele fazia piadas dizendo que tinha uma escrava em casa, fazendo a limpeza. Ele a chamava de ‘minha escrava’”.


Ela conclui: “Ele só falava coisas ruins sobre as pessoas negras, que eles eram a raça menos inteligente, e por aí vai…”


A ex-namorada comenta de como era o ambiente no entorno de Renan no Brasil. Conforme afirmou o próprio Mamãe Falei em seu último vídeo, o amigo trouxera a namorada ao país. “Pessoas negras nunca estavam por perto, a não ser pela empregada”, comenta ela.


A sueca conta também que Renan “tinha uma visão muito estranha e sexista sobre as mulheres”, e que não consegue lembrar em detalhes em virtude dos 12 anos passados, mas que ele “dizia coisas como ‘todas as mulheres são prostitutas’”.


Um advogado, um promotor e um juiz de direito, todos ex-alunos da Faculdade de Direito da USP e contemporâneos de Renan Santos na instituição, contaram ao DCM um idêntico e insólito episódio. Assim como a ex-namorada, o fizeram na condição de anonimato, mas também por meio de mensagens de celular e arquivos de áudio, igualmente mantidos sob a guarda da reportagem.


No que se conta, Renan Santos teria namorado uma moça considerada “pobre” por ele por cerca de um ano. Durante todo este tempo, ele teria enganado a mulher dizendo ser baterista da banda “The Strokes”.


“Isso não era segredo para ninguém. Ele falava entre risos, na mesa do Porão (nome como é conhecido pelos estudantes o local onde fica a sede e o bar do Centro Acadêmico XI de Agosto)”, afirma o juiz de direito.


“Sei que o rapaz era racista por Facebook, email e tal, mas isso tudo foi apagado. Lembro que falava coisas do tipo ‘estou trabalhando para que meu filho tenha sobrenome nórdico’, já assim evidente só com quem era próximo”, conta o promotor.


“Tem essa história de que ele fingia que era baterista dos Strokes e enganou uma menina por muito tempo. Essa eu ouvi da boca dele”, conclui um advogado.


O DCM tentou entrar em contato com Renan Santos mas não teve sucesso até a publicação desta reportagem. Caso o fundador do MBL venha a se manifestar, sua resposta será publicada nesta página.

 

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