Rio lidera candidaturas barradas por suspeita de ligação com o crime organizado
Levantamento mostra que candidatos questionados pela Justiça receberam recursos públicos de campanha; TRE-RJ adotou linha inédita contra nomes associados a estruturas criminosas

O Rio de Janeiro lidera o país em candidaturas barradas pela Justiça Eleitoral por suspeitas de vínculos com organizações criminosas nas eleições de 2026. Levantamento publicado nesta terça-feira (29) pela Folha de S.Paulo identificou ainda que candidatos enquadrados nesse grupo receberam recursos públicos para financiar suas campanhas.
Em todo o país, 20 candidatos com registros questionados por suspeitas de ligação com organizações criminosas receberam, juntos, R$ 21,6 milhões dos fundos Eleitoral e Partidário. Parte deles permanece em campanha enquanto recorre das decisões.
O Rio concentra o maior número de casos. Entre as candidaturas indeferidas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) estão as de Vandro Família, Val Ceasa, Renato Machado, Diego José Alba e Paulo Lomenha.
As decisões fazem parte de uma ofensiva adotada pelo tribunal nestas eleições para impedir a participação de candidatos apontados em investigações e documentos oficiais como ligados a milícias ou outras organizações criminosas.
A estratégia jurídica utilizada pelo TRE-RJ vai além das causas tradicionais de inelegibilidade previstas na Lei da Ficha Limpa. O tribunal tem recorrido também à Constituição Federal, que proíbe partidos políticos de manterem organização paramilitar ou se subordinarem a esse tipo de estrutura.
Os processos, porém, têm situações distintas e parte das decisões ainda está sujeita a recursos. O indeferimento eleitoral também não equivale, por si só, a uma condenação criminal por participação em organização criminosa.
A destinação de dinheiro público acrescenta outro elemento à discussão. Pela legislação eleitoral, candidatos com registro pendente de julgamento podem continuar praticando atos de campanha e utilizando recursos enquanto recorrem.
Com isso, candidaturas que a própria Justiça Eleitoral tenta retirar da disputa por suspeitas de vínculos com estruturas criminosas podem chegar às últimas semanas da eleição financiadas pelos fundos públicos.
O levantamento abre ainda uma conta específica no Rio: quanto desse dinheiro foi destinado aos candidatos fluminenses barrados, quais partidos fizeram os repasses e quanto já havia sido gasto quando os registros foram indeferidos.
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