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Pastor de Flávio associa culto a Maria a 'prostitutas' e chama Aparecida de “imagem escura de deusa'

há 37 minutos
2 min de leitura

Bispo JB Carvalho, dono da igreja frequentada por Flávio Bolsonaro, ataca a devoção católica em livro de 2001; obra dedica capítulo a Nossa Senhora Aparecida e a descreve como “deusa” mascarada


Foto: reprodução
Foto: reprodução


O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações e líder religioso ligado a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), faz ataques contundentes à devoção católica a Maria no livro “A Bomba: A verdade pode ser explosiva”, publicado em 2001. Na obra, ele associa a figura venerada pelos católicos a antigas divindades que chama de “prostitutas”, fala em “prostituição espiritual” e dedica um capítulo específico a Nossa Senhora Aparecida, descrita por ele como uma “imagem escura de uma deusa”.


Carvalho é dono da igreja frequentada por Flávio Bolsonaro. O candidato e sua mulher, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações, em Brasília, em 2024. Flávio também escolheu o templo para sua primeira aparição pública após anunciar a pré-candidatura à Presidência, em dezembro de 2025, e é apontado como frequentador assíduo da denominação.


No livro, Carvalho recorre à figura bíblica da “grande meretriz” e escreve que a Bíblia trataria de uma “prostituta espiritual” e da “mãe da prostituição espiritual”. Ele afirma que a prostituição representaria a troca da adoração a Deus pela veneração de outra divindade. Ao direcionar o argumento à Igreja Católica, diz que ela teria se “prostituído com a Rainha dos Céus” e escreve que a Bíblia a chamaria de “meretriz, prostituta infiel e apóstata”.


O bispo estabelece uma ligação direta entre antigas deusas e a iconografia mariana. Ao tratar de Astarte e Anate, escreve: “Uma prostituta divina, que era adorada em um ambiente de prostituição sagrada”. Em seguida, afirma que antigas deusas teriam sido “vistas como demônios e prostitutas” e posteriormente associadas ao cristianismo. Segundo ele, “a Rainha dos Céus, a soberana entre elas recebeu o nome de Maria”. O próprio autor faz uma ressalva: “Não é que ela seja Maria. Ela usa a imagem de Maria para enganar as massas”.


Carvalho também dedica atenção à cor escura de imagens marianas. Em um trecho intitulado “A Madona Negra – Ísis”, relaciona diferentes representações religiosas femininas. Ao mencionar as chamadas Virgens Negras, afirma que antigas estátuas de Ísis, Inanna, Diana e Cibele “eram de cor escura, sendo posteriormente chamadas de Madonas Negras”.


A argumentação chega diretamente a Nossa Senhora Aparecida. No capítulo “A Rainha dos Céus no Brasil”, Carvalho ironiza a tradição do encontro da imagem pelos pescadores: “Dizem que os pescadores são exagerados quando contam histórias dos seus feitos, ainda mais quando se trata de pescar uma imagem escura de uma deusa”.


Ele chama repetidamente Aparecida de “deusa” e afirma que a divindade que identifica como “Rainha dos Céus” aparece em diferentes culturas e, “no Brasil, se mascara com o nome de Aparecida”.


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