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Um domingo feliz - por Paulinho Freitas

SÃO GONÇALO DE AFETOS


Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Zé Ferreira trabalhava no estaleiro Ishibrás na década de 1980, era responsável pela cozinha que servia mais de cinco mil pratos por dia para os operários e mais de mil para a equipe de chefia e diretoria. Era ele também responsável quando os navios recém-construídos saiam em prova de mar antes de serem entregues aos proprietários.


Eram de quinze a trinta dias no mar, sem sair da quentura dos fogões. De olho em cada movimento de cada cozinheiro, de cada ajudante, de cada faxineiro. Nenhum prato era servido antes que ele aprovasse a qualidade. Sempre com um cigarrinho no canto da boca, não tragava, era só para fazer tipo, um olhar que transmitia paz e um semblante que sorria sem mostrar os dentes, sempre iluminado.



Raramente folgava e nestes domingos gostava de acordar cedo, fazer uma “fezinha” no bicho e na corrida de cavalo. Na hora do almoço uma canjiquinha com carne seca frita ou um feijão carregado com arroz branco e couve à mineira e um sono da tarde merecido.


Depois da sesta, um copinho de cachaça com erva doce, outro com uma dose de whisky e outro com cerveja. Era preciso muitas doses para derrubar o gigante. Após o jantar um aconchego com a amada, alma renovada e feliz, pronto para encarar a vindoura semana e seus desafios.


Na vitrola Nelson Gonçalves canta: “Boneca de trapo, pedaço da vida, que vive perdida no mundo a rolar...”


...E lá se foi mais um domingo feliz.


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor.




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