Cezinha: Dino autoriza operação dia 5, Mendonça tira chefe da PF no dia 8 e telefone de deputado é 'furtado' no dia 11
PF realizou operação contra aliado de Mendonça nesta manhã

Uma sequência de acontecimentos envolvendo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a Polícia Federal ganhou novos contornos nesta segunda-feira (14), com a deflagração da terceira fase da Operação Transparência.
A cronologia chama atenção.
No dia 5 de setembro, o ministro Flávio Dino autorizou a operação que tinha Cezinha como principal alvo. Três dias depois, em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão provocou uma crise no STF: no dia seguinte, Dino restabeleceu Rodrigues no cargo e, posteriormente, o presidente da Corte, Edson Fachin, cassou as decisões que haviam determinado o afastamento.
A operação, que acabou sendo deflagrada nesta segunda-feira, já estava autorizada havia nove dias. Segundo o ICL, a ação foi retardada em meio à crise envolvendo o comando da PF.
No meio dessa sequência, outro episódio envolvendo Cezinha veio à tona.
Na sexta-feira, 11 de setembro, o deputado afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que teve o celular furtado na Avenida Paulista. Segundo ele, os criminosos conseguiram acessar contas e cartão de crédito em cerca de 15 minutos. O aparelho, porém, também era alvo de pedido de apreensão pela PF.
Cezinha é apontado como aliado de Mendonça e aparece em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Segundo o ICL, o deputado teria articulado um encontro entre Vorcaro e Mendonça em São Paulo, em março de 2025.
A PF investiga suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A corporação afirma, contudo, que não há elementos indicando participação de integrantes do Judiciário nos fatos investigados.
A sucessão — Dino autoriza, Mendonça afasta o chefe da PF e, dois dias depois, Cezinha anuncia o furto do celular — não prova, por si só, qualquer conexão entre os episódios. Mas ajuda a explicar por que a operação desta segunda-feira ocorre sob forte tensão institucional.
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