Centenárias em cadeira de rodas participam de ato pela democracia em Copacabana
Maria do Patrocínio, de 100 anos, e Dora Alcântara, de 95, foram em cadeira de rodas ao Ato Musical pela Democracia; participação contrasta com alta abstenção entre idosos no primeiro turno

Milhares de pessoas ocuparam a orla e as ruas de Copacabana, na Zona Sul do Rio, neste domingo (18), no Ato Musical pela Democracia. Entre os presentes estavam Maria do Patrocínio Souza Cézar, de 100 anos, e Dora Alcântara, de 95.
“Eu quero lutar pela democracia”, afirmou Maria. Piauiense, chegou ao Rio na década de 1950, após enfrentar a seca e a fome no Nordeste.
Em Copacabana, casou-se, criou duas filhas e dedicou-se ao trabalho de dona de casa.
“Minha mãe sempre foi uma mulher muito batalhadora e muito consciente da força dela como mulher, como mãe. Acho que ela nunca esqueceu as origens dela”, contou a filha, a engenheira florestal Luciane César.
“Ela também teve a oportunidade de viver tempos difíceis aqui no Brasil que a gente não quer mais que se repitam.”
A memória desses períodos também levou Dora à manifestação. Arquiteta e professora, saiu da Lagoa em cadeira de rodas, acompanhada da filha, Marta de Alcântara, e da neta, Rafaela, de 26 anos.
“Votei no primeiro, vou votar no segundo. Vou votar no Lula porque acredito que, apesar de falhas, o governo dele foi bom e garantiu a democracia”, disse ao UOL.
Ao recordar a ditadura militar, reagiu:
“Que horror a ditadura”.
Para Dora, que completa 96 anos neste ano, estar na rua tem um significado próprio:
“Não é só dar meu voto. Tenho a sensação de estar participando mais dessa luta pela democracia, pelo povo”.
Marta conta que os pais, ambos arquitetos e professores universitários, enfrentaram vigilância durante a ditadura. Segundo ela, pessoas entravam no apartamento da família, em Copacabana, para verificar as reuniões.
“Tinha gente que entrava no apartamento literalmente para inspecionar o que estava acontecendo.”
Ver a mãe na manifestação, décadas depois, é motivo de admiração:
“É um orgulho fantástico. Ela é uma referência até hoje”.
Na chegada ao ato, Rafaela viu um ex-aluno se emocionar ao encontrar a avó. Atriz, ela conta que se identificava com a direita e votou em João Amoêdo em 2018. A faculdade e o contato com outras realidades mudaram seu posicionamento. Em 2022 e neste ano, votou em Lula.
“Fico muito feliz de ter esse grande exemplo em casa, de conversar com ela, de poder ouvir todas as histórias”, afirmou a jovem.
“Tem pessoas realmente lutando pelo direito de existir.”
A participação das duas idosas contrasta com a elevada abstenção nas faixas etárias mais avançadas. No primeiro turno de 2026, 95,66% dos eleitores de 95 a 99 anos não votaram; entre os de 90 a 94, foram 86,54%.
Nas faixas de 80 a 84 e de 85 a 89 anos, as taxas foram de 62,88% e 75,70%, respectivamente, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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