Almanaque de Gonçalensidades resgata histórias e curiosidades de São Gonçalo nas redes sociais
Criado por pesquisadores da FFP-UERJ, projeto reúne documentos, fotografias e notícias de diferentes épocas para aproximar a população da história da cidade
Por Helcio Albano

Uma notícia de 1940 sobre a criação de uma biblioteca em São Gonçalo. Um anúncio de espetáculos circenses publicado em 1861. Os horários dos trens da antiga Estrada de Ferro Maricá. Esses são alguns dos registros recuperados pelo Almanaque de Gonçalensidades, projeto que transforma documentos históricos em publicações acessíveis nas redes sociais.
Lançado em agosto de 2025, o almanaque é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa História de São Gonçalo: Memória e Identidade, vinculado à Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP-UERJ). Idealizado pelo professor Rui Aniceto Fernandes, o projeto busca aproximar os moradores da história da cidade por meio de acontecimentos, personagens, documentos e curiosidades.
A proposta recupera a tradição dos antigos almanaques, publicações populares nos séculos XIX e XX que reuniam informações úteis, literatura, acontecimentos históricos e curiosidades. Agora, esse formato ganha espaço no Instagram e no Facebook.
A cidade contada pelos jornais
As publicações atravessam diferentes períodos da história gonçalense. Entre os assuntos abordados estão a emancipação do município, em 1890, o transporte ferroviário, antigas escolas, festas populares, atividades religiosas e episódios da política local.
O cotidiano também ocupa espaço. Anúncios comerciais, apresentações de circo, notícias dos bairros e projetos de bibliotecas ajudam a revelar como viviam os moradores de outras épocas.
Boa parte desse conteúdo é apresentada por meio de reproduções de jornais antigos, acompanhadas da identificação do periódico, da data e do acervo consultado.
Hemeroteca preserva a imprensa gonçalense
O almanaque integra um trabalho mais amplo do grupo de pesquisa, que também desenvolve a Hemeroteca Virtual Gonçalense, dedicada à preservação, digitalização e divulgação de jornais, revistas e outras fontes documentais da história de São Gonçalo.
Entre os resultados estão 150 edições digitalizadas de O Nosso Jornal, periódico que circulou entre 1992 e 2007, e 35 edições da revista A Única. Os exemplares estão disponíveis gratuitamente no portal História de São Gonçalo.
A coleção da revista ainda está sendo ampliada. O grupo solicita a colaboração de moradores que possuam exemplares não digitalizados, com o objetivo de completar o acervo.
A Hemeroteca também desenvolve trabalhos relacionados à revista A Gaivota e à produção literária de José de Moraes e Silva, escritor, fazendeiro e político gonçalense do século XIX.
Outro marco na preservação da imprensa local ocorreu em abril de 2026, quando o fundador de O Nosso Jornal de Notícias, Rujany Martins, doou à Biblioteca Nacional a coleção completa do periódico, com mais de 2.500 edições publicadas entre 1992 e 2007.
O professor Rui Aniceto Fernandes, que estava responsável pela guarda do acervo, participou da entrega. A doação, noticiada pelo Jornal Daki, é distinta do trabalho de digitalização das 150 edições já disponibilizadas pela Hemeroteca Virtual Gonçalense.
Trinta anos de pesquisa histórica
Em 2026, o Grupo de Pesquisa História de São Gonçalo: Memória e Identidade completa 30 anos de fundação. Para marcar a data, prepara uma série de entrevistas com pesquisadores e participantes de sua trajetória, começando pelo professor Luís Reznik.

O Almanaque de Gonçalensidades amplia o alcance desse trabalho ao levar documentos e pesquisas acadêmicas diretamente à população. Suas publicações permitem conhecer não apenas os grandes acontecimentos políticos, mas também o cotidiano, as manifestações culturais e as transformações da cidade ao longo do tempo.
O conteúdo pode ser acompanhado gratuitamente pelo Instagram @almanaques.g. Os acervos digitalizados estão disponíveis no portal História de São Gonçalo.
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