Efeito Lula: democratas agradecem ao Brasil após vitória histórica contra Trump nos EUA
Dez dias após a derrota de Flávio Bolsonaro, eleitores americanos impõem revés à extrema-direita e conquistam Câmara e Senado; vitórias históricas de mulheres negras, indígenas e imigrantes marcam o pleito

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro ganhou desdobramentos internacionais. Dez dias depois de derrotar o candidato apoiado por Donald Trump, os eleitores americanos impuseram uma derrota histórica à extrema-direita, com os democratas conquistando o controle da Câmara e do Senado nas eleições legislativas de terça-feira (3).
O resultado provocou manifestações de agradecimento ao Brasil nas redes sociais, com parlamentares, ativistas e cientistas políticos citando o país como referência para a mobilização contra Trump e as big techs.
Uma das mensagens mais expressivas veio de Isaiah Martin, jovem político democrata do Texas que disputou uma cadeira na Câmara pelo 18º distrito congressional.
"OBRIGADO, BRASIL, POR NOS MOSTRAR O CAMINHO", escreveu, acrescentando em seguida:
"DEPORTEM OS BOLSONARO!".
A cientista política Pippa Norris, de Harvard, incluiu o Brasil em uma sequência de países com sinais de resistência democrática: "Brasil. Sérvia. Israel (talvez). Estados Unidos. A resiliência autocorretiva da democracia". O ativista Diego A. Ballestero afirmou que o Brasil venceu o "algoritmo tecnofascista do ódio e da morte".
Nos Estados Unidos, a dimensão da derrota republicana foi confirmada pelas projeções. Os democratas aproveitaram a impopularidade de Trump para ampliar a representação e conquistar instrumentos capazes de limitar a atuação do presidente nos dois últimos anos de mandato.
No Senado, retiraram cadeiras dos republicanos em Ohio, Iowa, Carolina do Sul, Maine, Carolina do Norte, Kansas e Texas. Em Michigan, Abdul El-Sayed tornou-se o primeiro senador muçulmano da história americana. No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton, aliado de Trump, encerrando uma sequência republicana que durava desde 1988.
Vitórias históricas
O pleito também produziu uma onda de vitórias históricas em seis estados. Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira mulher negra a governar um estado nos EUA, ao derrotar o republicano Rick Jackson na Geórgia. Chris Pappas será o primeiro homem assumidamente gay no Senado, após vencer em New Hampshire.
Deb Haaland comandará o Novo México como a primeira governadora indígena do país. Na Flórida, o republicano Byron Donalds será o primeiro governador negro do estado. No Texas, Gina Hinojosa será a primeira latina a governar o estado, interrompendo décadas de domínio republicano.
Entre os eleitos está o brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos. Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele foi eleito deputado estadual na Flórida pelo Partido Democrata, tornando-se o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado.
Lazaballet também é o primeiro imigrante assumidamente gay e o primeiro ex-beneficiário do DACA a integrar um Legislativo estadual nos EUA. Ele chegou ao país aos 14 anos, viveu cerca de 15 anos em situação irregular e obteve autorização de trabalho aos 26.
"Minha história é o sonho americano", declarou.
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