top of page

Tempos modernos

há 59 minutos
4 min de leitura

SÃO GONÇALO DE AFETOS


Por Paulinho Freitas



Sou de um tempo em que para falar com um parente distante, ou íamos num comércio próximo e pagávamos uma certa quantia para usar o telefone por três minutos, ou recorríamos a um vizinho que tivesse o aparelho instalado e usávamos pela boa vontade dele, ou passávamos um telegrama que levava dias para chegar ao destino, dependendo de onde seja.


Para ter uma imagem boa na TV era um Deus nos acuda. Púnhamos uma esponja de aço, daquelas que se usa para arear panelas, na antena ou tínhamos que subir ao telhado e ficar virando a antena externa de um lado para o outro e alguém ficar embaixo gritando: Tá bom! Tá ruim! Vira para lá! Agora para cá!


 Para ouvir música tínhamos o rádio como opção e as interferências nas emissoras também faziam ruídos que se transformavam e indesejáveis instrumentos durante toda sua execução. Hoje temos tudo a um toque, na palma da mão, com um celular você visita o mundo inteiro. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Genésio que o diga. 


Genésio é mecânico, dos melhores, o preço de seu trabalho é salgado, mas vale a pena. A oficina está sempre cheia de carros e chegando mais. Dinheiro pra ele não é problema. O problema dele é Cenira, uma sergipana mal humorada, que não guarda do almoço para a a janta e que jurou matar Genésio lentamente, ou envenenado ou na ponta da faca se algum dia descobrisse alguma traição. Genésio se tremia todo só de pensar. 


O problema é que na ala de passista do GRESU Porto dá Pedra, tem uma dançarina longe de ser o modelo de mulher ideal para a maior parte da sociedade, mas para Genésio ela é a principal personagem dos seus sonhos eróticos desde a infância, sambando no chão batido num quintal da restinga do Gradim.


Geni nunca deu confiança para Genésio, que saiu do bairro depois que se casou e nunca mais viu Geni, até o dia em que entrou para a ala de compositores da escola. Seu coração era de Cenira, mas seu corpo clamava por Geni. 


Antes do carnaval deste ano ele conseguiu o número de telefone de Cenira, ligou e ela não atendeu. Fez um áudio pelo whatsapp, declarando todo o seu falso amor, pois o interesse dele era somente sexo, sem sentimento. Ela não respondeu. 


Ele já tinha desistido de tentar conquistá-la, quando numa tarde de sábado, indo ao mercado com Cenira, recebeu uma notificação de mensagem, quando viu que era de Geni, parou o carro no posto, com a desculpa de comprar cigarros e foi para a loja de conveniência ouvir o áudio. Lá não conseguia ouvir a mensagem. Foi quando lembrou que o celular estava ligado ao bluetooth do carro e que Cenira estava lá dentro... (Meus Deus! Vai virar presunto!


Cenira ficou com uma cara estranha quando viu Genésio entrar no carro com dois tabletes grandes do chocolate que ela gosta. Ele nunca comprava nada de mimo para ela. Era um pão duro incorrigível. Genésio desligou o multimídia do carro e continuou a viagem com uma cara que parecia ter visto um fantasma.


Parou numa floricultura e comprou flores para a mulher, que cada vez mais o olhava com desconfiança. Chegando em casa fez o jantar e abriu uma garrafa de vinho, depois de algumas taças ela pediu cerveja, no que prontamente foi atendida e já meio alta por causa da mistura de bebidas, adormeceu na sala. Genésio a levou para cama e dormiu com um dos olhos abertos. Nunca se sabe.


Daquele dia em diante Genésio é outro homem. Namora Cenira quase todos os dias, a leva para sair e compra tudo o que ela pede, só falta a carregar no colo para que ela não canse os pés.


Semana passada ele me confessou que estava fazendo isso como medo. Sabe que Cenira está arquitetando um plano para mata-lo por causa da suposta traição. 


O que ele não sabe é que na hora em que ele saiu do carro ela também saiu. Atravessou a rua para pagar a prestação da festa surpresa que está preparando para ele no próximo mês pela passagem de seu aniversário e não ouviu nada. A mensagem, Geni apagou antes que ele ouvisse e até hoje ele não sabe o que ela respondeu, pois nas festas na quadra da escola que aconteceram depois do carnaval ele fez questão de não olhar para as passistas e nem para mulher nenhuma que estivesse na quadra. 


O legal dessa história é que ele me disse que está gostando de ser um novo Genésio. Cenira está feliz e cada vez mais apaixonada. Ele adora quando ela sorri e fica feliz a cada dengo que ele a faz.


É como diz meu amigo Gilvan Carneiro em seu livro CABEÇA:


“...Quanto mais se cuida, mais se ama”


“...Ao som de três palavras se demonstra todo o amor...”:  EU TE AMO!!!!!


Nos siga no Instagram AQUI e BlueSky AQUI.

Entre no nosso Canal de WhatsApp AQUI.

 

Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.



Paulinho Freitas é compositor, sambista e escritor.


Comentários


POLÍTICA

KOTIDIANO

CULTURA

TENDÊNCIAS
& DEBATES

telegram cor.png
bottom of page