PT prepara expurgo dos 'infiéis' que se omitiram na campanha de Lula; Quaquá na mira para ser expulso
Edinho Silva propõe "divórcio litigioso" com dirigentes que se omitiram na campanha; Washington Quaquá é o primeiro alvo e reage chamando o presidente do partido de "mentiroso, incompetente e fofoqueiro"

O presidente do PT, Edinho Silva, está prestes a entrar em guerra com uma ala da sigla apelidada de "centrão petista". Com aval do presidente Lula, ele tem pregado o que chama de divórcio com integrantes considerados desalinhados com a proposta de renovação partidária, também acusados de omissão na campanha presidencial. As informações são da Folha de S. Paulo.
Na quinta-feira (29), durante reunião da Executiva Nacional, Edinho propôs a saída voluntária de dirigentes que se omitiram na eleição, chegando a tirar férias no segundo turno, quando Lula precisava de uma virada inédita para derrotar Flávio Bolsonaro (PL). Em seu discurso de encerramento, falou em "divórcio litigioso", ou seja, expulsão da sigla. Contou ter saído de um café com Lula e conversado na véspera com o presidente sobre o futuro do PT. Repetindo uma avaliação atribuída a Lula, afirmou que o partido não deve ser instrumento de projeção e enriquecimento pessoais, mas um projeto coletivo.
A partir desse recado, os participantes chegaram à conclusão de que Edinho recebeu de Lula a incumbência de expulsar seus opositores. O primeiro alvo é Washington Quaquá, prefeito de Maricá, cidade onde Lula perdeu nos dois turnos. Seu filho, Diego Zeidan, presidente do PT do Rio, viajou para a Bahia após o primeiro turno, o que exigiu intervenção na coordenação de campanha no estado.
Quaquá reagiu chamando Edinho de "mentiroso, incompetente e fofoqueiro", um crítico do fascismo que não tolera a crítica e estaria com medo de disputar a sigla com ele.
"Eu tenho tanto ou mais tempo de PT que ele. Com a diferença de que sou de favela. Se alguém tem que sair do PT e ir para o PSOL é ele. Eu sou PT raiz."
Por posicionamentos controversos, como a defesa de Domingos Brazão e de operação policial que deixou 120 mortos no Rio, Quaquá já é alvo de pedidos de expulsão na comissão de ética, que não avançaram.
Segundo petistas, Quaquá não é o único na mira. Lula mantém arquivados panfletos de campanha de petistas sem seu nome e quer que esses correligionários sejam enquadrados. A possibilidade de expulsão pode reabrir o racha na própria CNB, corrente que abriga Edinho e seus desafetos.
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