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Paes pede cassação de Douglas Ruas por compra de votos e fraude eleitoral no Rio

há 58 minutos
2 min de leitura

Ação no TRE-RJ aponta distribuição de propaganda com números falsos, suspeitas de compra de votos e abuso de poder econômico; governador eleito também acusa adversário de irregularidades na campanha


Paes e Ruas/Foto: reprodução
Paes e Ruas/Foto: reprodução


A eleição para governador do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo na Justiça. Derrotado nas urnas, Eduardo Paes (PSD) apresentou uma ação ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) pedindo a cassação da chapa do governador eleito Douglas Ruas (PL) e da vice, Fernanda Louback (PL). A acusação envolve compra de votos, abuso de poder econômico e uma suposta operação de desinformação destinada a prejudicar a candidatura do ex-prefeito carioca.


Na petição de 90 páginas, divulgada nesta quarta-feira (4), os advogados de Paes apontam a circulação de materiais de campanha que associavam sua imagem aos números 13, do PT, e 22, do PL, embora seu número na disputa fosse 55. Parte dos santinhos foi apreendida por fiscais da Justiça Eleitoral. A autoria e a responsabilidade pela distribuição, entretanto, ainda precisam ser comprovadas.


O episódio ganhou relevância porque 204.309 eleitores digitaram o número 13 para governador, anulando seus votos. O PSD sustenta que a propaganda enganosa pode ter interferido no resultado. Não há, porém, comprovação de quantos desses votos decorreram dos materiais distribuídos.


A ação também questiona a produção de 100 mil panfletos que associavam Paes a posições contrárias aos valores cristãos e familiares. Os advogados pedem a investigação dos responsáveis pela impressão e pelo financiamento da propaganda.


Outra frente envolve denúncias de compra de votos em diferentes regiões do estado, inclusive áreas dominadas por milícias. A petição reúne relatos publicados nas redes sociais e encaminhados ao Disque Denúncia, além de mencionar apreensões de dinheiro durante a campanha. Esses episódios ainda não demonstram, isoladamente, participação ou responsabilidade da chapa eleita.


A ofensiva judicial ocorre após a retotalização determinada pela Justiça Eleitoral, que anulou os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos). Com a mudança, Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, garantindo a vitória no primeiro turno. Paes terminou com 44,16%.


O confronto judicial é recíproco. O PL também apresentou ações contra Paes, acusando-o de utilizar estruturas da Prefeitura do Rio para pressionar servidores e promover sua candidatura, além de questionar o uso de canais digitais durante a disputa.


As partes pedem a inelegibilidade dos adversários por oito anos. Paes também mantém uma contestação no Supremo Tribunal Federal sobre a anulação dos votos de Garotinho.


Até a publicação das reportagens consultadas, não havia decisão sobre os pedidos de cassação. A CNN informou ter procurado Douglas Ruas, sem receber resposta até o fechamento. A eventual responsabilização dependerá da análise das provas e do julgamento pela Justiça Eleitoral.


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