Rede de exploração sexual de adolescentes tem assessores parlamentares e PM entre os presos no RJ
Operação NXIVM, conduzida pela 74ª DP de Alcântara, investiga estupros, torturas e chantagens; suspeitos tinham vínculos com gabinetes de Talíria Petrone e Professor Túlio, do PSOL

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação NXIVM contra uma rede suspeita de exploração sexual de adolescentes, com atuação investigada em São Gonçalo, Niterói e Maricá. Entre os oito investigados presos ao longo da apuração estão dois assessores parlamentares, ligados a mandatos do PSOL, e um sargento da Polícia Militar lotado em São Gonçalo.
Coordenada pela 74ª DP (Alcântara), a operação teve dez mandados de prisão preventiva expedidos e 18 de busca e apreensão. Sete pessoas foram presas nesta quarta-feira; a oitava já estava encarcerada desde julho. Cerca de 90 policiais participaram da ação.
Segundo os investigadores, os suspeitos produziam registros de violência sexual contra adolescentes, incluindo estupros coletivos e torturas. As gravações seriam utilizadas para ameaçar as vítimas com a divulgação das imagens, submetendo-as a novos abusos. A Polícia Civil investiga a existência de outras vítimas e envolvidos.
CNN Brasil
Investigação começou com prisão de assessor
O caso veio à tona em julho, quando uma adolescente de 16 anos procurou a delegacia acompanhada dos pais e denunciou as violências sofridas. A investigação levou à prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, de 36 anos, então assessor do vereador Professor Túlio (PSOL), de Niterói.
Na residência do suspeito, policiais apreenderam computadores e celulares. A análise dos equipamentos, associada a imagens de câmeras de segurança, permitiu identificar outros possíveis participantes da rede.
Nesta quarta-feira, foi preso Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, de 45 anos, assessor da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ). Também foi detido o terceiro-sargento Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos, lotado no 1º BPM, em São Gonçalo.
Os vínculos funcionais dos suspeitos estão documentados nas informações divulgadas sobre a operação. Não há, entretanto, indicação de participação dos parlamentares nos crimes investigados.
Exonerações e manifestações
Talíria Petrone informou que determinou a exoneração de Carlos Alberto após tomar conhecimento da operação. Em nota, manifestou solidariedade à vítima e à família e defendeu uma investigação transparente, rigorosa e independente.
Professor Túlio afirmou que exonerou Matheus em julho, assim que soube da prisão, e defendeu a responsabilização dos envolvidos.
A Polícia Militar informou que sua Corregedoria participou da operação e acompanha o inquérito para avaliar medidas administrativas e disciplinares.
Segundo a imprensa, a adolescente que originou a investigação foi incluída em um programa de proteção. As defesas dos investigados não haviam sido localizadas nas reportagens consultadas. Todos permanecem sob presunção de inocência.
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