Douglas Ruas se reúne com Zanin enquanto disputa com Eduardo Paes avança no STF e na Justiça Eleitoral
Governador eleito defende respeito às instituições, evita criticar Flávio Bolsonaro e enfrenta ação que questiona sua vitória no primeiro turno; adversários também trocam acusações de irregularidades eleitorais

O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), reuniu-se com o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar da ação apresentada pelo PSD de Eduardo Paes que pede a realização de um segundo turno no estado. O encontro, realizado na terça-feira (3), consta da agenda oficial do magistrado e ocorre em meio à intensificação da disputa judicial pelo Palácio Guanabara.
A controvérsia está na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1362, protocolada pelo PSD em 14 de outubro. O partido contesta a exclusão dos 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), cujo registro de candidatura foi indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na votação de 4 de outubro, Ruas obteve 49,27% dos votos dados aos candidatos. Depois da decisão do TSE e da retotalização pelo TRE-RJ, alcançou 50,88% dos votos válidos e foi proclamado vencedor.
O PSD argumenta que os votos de Garotinho, embora anulados juridicamente, deveriam permanecer no cálculo da maioria absoluta por representarem escolhas efetivas dos eleitores.
Zanin, relator da ação, requisitou informações ao TSE e determinou a manifestação da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República antes de examinar o mérito. Não há decisão definitiva identificada na documentação consultada.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 3 de novembro, Ruas criticou movimentos de contestação às instituições e afirmou que a eleição presidencial estava encerrada. Entretanto, evitou condenar a carta divulgada por Flávio Bolsonaro, seu aliado político, questionando a reeleição de Lula. A diferença de postura expõe uma divergência pública de discurso, mas não comprova rompimento entre os dois.
A disputa também chegou ao TRE-RJ. Entre domingo (1º) e quarta-feira (4), Ruas e Paes apresentaram ações com acusações recíprocas de abuso de poder político e econômico, irregularidades na propaganda e compra de votos.
Ruas acusa o adversário de utilizar uma página na internet para divulgar denúncias contra ele e de se beneficiar de suposta pressão sobre servidores municipais. Paes, por sua vez, pede a cassação da chapa de Ruas e da vice Fernanda Louback, alegando compra de votos e distribuição de material eleitoral enganoso. Ambos solicitam a inelegibilidade do adversário por oito anos. As acusações ainda dependem de julgamento.
Enquanto organiza o secretariado e a transição administrativa, Douglas Ruas enfrenta duas frentes judiciais distintas: a discussão constitucional sobre a necessidade de segundo turno e as ações que investigam a conduta dos candidatos durante a campanha.
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