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Justiça condena três PMs integrantes do novo Escritório do Crime

há 18 minutos
3 min de leitura

Grupo atuava sob ordens de lideranças da contravenção penal e mantinha estrutura voltada à prática de crimes violentos, como homicídios

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A Justiça do Rio condenou três policiais militares apontados como integrantes do novo "Escritório do Crime", um grupo que atuava sob ordens de lideranças da contravenção e mantinha uma estrutura voltada para a prática de crimes violentos, como homicídios e sequestros, além da venda clandestina de munições e de armas.

O segundo sargento Bruno Marques da Silva, o Bruno Estilo, foi condenado a 63 anos de prisão, em regime inicial fechado, bem como pelo pagamento de 168 dias-multa, por integrar a organização criminosa. Ele - preso em dezembro de 2022 - estaria envolvido em, ao menos, dois homicídios.


O capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa - conhecido como Tenente Alessander - e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas - o Briggs - cumprirão penas de 27 anos de prisão, também em regime fechado, e pagarão 44 dias-multa, por crimes relacionados ao comércio ilegal de armas.


Ambos foram detidos em maio de 2025. Alessander voltou a ser detido em fevereiro desse ano depois da divulgação de áudios de supostas conversas entre ele e criminosos ligados à facção Comando Vermelho. 


A sentença, do último dia 21, determinou a exclusão de Bruno e de Diogo dos quadros da Polícia Militar após o trânsito em julgado. A eventual perda do posto e da patente de Alessander ainda seria analisada, mas ele já estava afastado.


As investigações identificaram conversas, áudios, imagens e registros de negociações envolvendo armas de fogo de grosso calibre, carregadores e de munições, inclusive de equipamentos apreendidos em operações da Polícia Militar. As mensagens extraídas de contas vinculadas aos investigados revelaram uma estrutura criminosa com divisão de tarefas e vínculos com integrantes ligados à milícia.

A denúncia apontou que o ex-policial militar Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como "Ganso", "Batata" ou "Soares", como o responsável por encomendar assassinatos. Outros integrantes seriam encarregados do planejamento, do monitoramento das vítimas e da execução dos homicídios.


Entre os assassinatos descritos na denúncia estão os de Fábio Romualdo Mendes, ocorrido no bairro Vargem Pequena, na Zona Sudoeste do Rio, em setembro de 2021, e de Neri Peres Júnior, executado em Realengo, na Zona Oeste, no mês seguinte. De acordo com o Ministério Público do Rio (MPRJ), os dois crimes foram cometidos em plena luz do dia, com diversos tiros, e teriam sido planejados pelo monitoramento e por tentativas de emboscada.


Neri foi morto a tiros de fuzil e de pistola em 4 de outubro de 2021, por volta das 12h50, em uma área de grande circulação de pessoas. A denúncia relata que o grupo monitorou a vítima e realizou diligências para assassiná-la em pelo menos quatro ocasiões, frustradas por diferentes motivos.

Bruno Estilo, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Anderson Oliveira Reis Viana, conhecido como “Papa” ou “2P”, são apontados como participantes da execução. André Costa Bastos, o “Boto”, teria auxiliado os três comparsas e fornecido armamentos. Mesmo preso, o homem supostamente coordenava a logística de armazenamento e disponibilização de armas e munições.


Fábio foi executado em 29 de setembro de 2021, por volta das 9h, na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. Ele dirigia seu carro quando criminosos o surpreenderam, atingindo o veículo com diversos tiros, sem possibilidade de defesa.


Segundo a denúncia, Thiago também teria encomendado esse assassinato, mobilizando Bruno, Anderson e Rodrigo para planejar o crime, monitorar a vítima e executá-la. O planejamento teria começado um mês antes, com diferentes tentativas de emboscada, incluindo uma em uma barbearia, que só não ocorreu porque Fábio não compareceu ao local.

*Com informações O Dia

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