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Vereador que sugere saída de petistas da Prefeitura de São Gonçalo já teve mandato cassado e atacou jornalistas

há 8 horas
4 min de leitura

Em meio à onda nacional de assédio eleitoral, mensagem atribuída a Lecinho Breda (Republicanos) recomenda que apoiadores de Lula deixem seus empregos


Por Cláudio Figueiras


Lecinho Breda/Foto: reprodução CMSG
Lecinho Breda/Foto: reprodução CMSG


A campanha de perseguição política contra trabalhadores que comemoraram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou um capítulo em São Gonçalo. Uma mensagem atribuída ao vereador Alecio Breda Dias, o Lecinho Breda (Republicanos), divulgada em um grupo de WhatsApp, sugere que funcionários da prefeitura que apoiaram o petista deixem seus empregos e procurem trabalho em cidades administradas pela esquerda.


Identificada com o nome "Lecinho Vereador", a mensagem afirma que seria uma traição trabalhar em um governo de direita e apoiar a esquerda.


"Você que trabalha no Governo se eu fosse Vocês, pedia para Sair", diz um trecho.


Em seguida, acrescenta:


"Estou aguardando vim falar comigo e pedir para sair, vai trabalhar em Maricá, Niterói la os Governos são de esquerda, espero que tenham Dignidade (sic)".


Print da mensagem
Print da mensagem

A referência é ao governo municipal de Nelson Ruas, o capitão Nelson (PL), aliado do bolsonarismo.


A publicação não apresenta ordem formal de exoneração, e não há comprovação de que funcionários tenham perdido empregos em consequência da manifestação. A autoria da mensagem, conhecida por meio de captura de tela, circula em diversos grupos da plataforma.


O Daki confirmou a autenticidade da mensagem e da autoria.


Assédio eleitoral se espalha pelo país

O episódio ocorre em meio à disseminação de campanhas bolsonaristas que procuram punir economicamente pessoas identificadas com a esquerda após a derrota eleitoral.


Reportagens da Folha de S.Paulo revelaram a circulação de listas de estabelecimentos comerciais supostamente ligados ao PT, acompanhadas de apelos para que consumidores deixassem de frequentá-los. Empresários incluídos nessas listas relataram ameaças e receio de prejuízos.


Segundo balanço do Ministério Público do Trabalho (MPT), 2.467 denúncias de assédio eleitoral foram registradas em 2026, das quais 530 após o segundo turno. O estado do Rio de Janeiro contabilizava 190 denúncias no ano. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, condenou a campanha e orientou trabalhadores ameaçados a procurar sindicatos e órgãos de fiscalização.


No Rio, a deputada estadual Índia Armelau (PL) protagonizou episódio semelhante ao estimular empresários a observar as manifestações políticas de seus empregados.


Após ação do MPT, a Justiça do Trabalho determinou a retirada da publicação e proibiu o incentivo à discriminação política no emprego. A parlamentar cumpriu a decisão e negou que tivesse pretendido estimular demissões.


Mandato cassado após fraude à cota de gênero

O histórico político de Lecinho reúne episódios anteriores de grande repercussão em São Gonçalo. Em maio de 2024, ele perdeu o mandato e a presidência da Câmara Municipal após a Justiça Eleitoral reconhecer fraude à cota de gênero na chapa do MDB, partido pelo qual havia sido eleito em 2020.


A investigação do Ministério Público Eleitoral apontou a utilização de uma candidatura feminina fictícia para cumprir a exigência legal de participação mínima de mulheres na disputa proporcional. A decisão levou à anulação dos votos da legenda e à cassação dos diplomas dos eleitos beneficiados pela composição irregular.


A cassação decorreu da invalidação da chapa partidária, não de uma condenação criminal pessoal por fraude eleitoral. O parlamentar negou participação no esquema e contestou a decisão. Meses depois, nas eleições de outubro de 2024, voltou à Câmara pelo Republicanos, com 6.433 votos.


Confronto com professores e ofensas a jornalistas

Em dezembro de 2021, quando presidia a Câmara durante a votação de mudanças no plano de carreira dos profissionais da educação, a sessão foi marcada por protestos de professores.


Os vereadores Romario Regis (PCdoB) e Professor Josemar (PSOL) atuaram para facilitar a entrada dos profissionais no prédio.


A Mesa Diretora, presidida por Lecinho, apresentou representação à Comissão de Ética contra os dois parlamentares, sob alegação de possível quebra de decoro.


Em agosto de 2023, Lecinho voltou a protagonizar controvérsia envolvendo profissionais da imprensa. Segundo relato publicado pelo jornalista Helcio Albano, editor-chefe do Jornal Daki, durante sessão da Câmara em 23 de agosto daquele ano, o parlamentar dirigiu ofensas pessoais ao jornalista em reação à cobertura política do Legislativo.


Na coluna "Eu, jumento e feioso, respondo: seu bobo!", Helcio relatou ter sido chamado de "jumento", "feioso" e "jornalista de merda".


O texto também atribuiu ao vereador uma crítica à linha editorial do jornal e ataques à jornalista Berenice Seara.


Abuso de poder e assédio

A mensagem de Lecinho Breda expõe uma prática conhecida nos bastidores da política municipal: a utilização de cargos comissionados como instrumentos de influência, fidelidade e sustentação eleitoral. Nesse sistema, a indicação para um emprego público frequentemente estabelece uma relação de dependência política entre o beneficiado e seu padrinho.


Ao sugerir que servidores que apoiaram Lula deixem seus empregos, o vereador deixa transparecer essa concepção patrimonialista do poder, na qual a lealdade ao grupo político se sobrepõe à liberdade individual de escolha eleitoral. O episódio ganha ainda mais significado diante do histórico de confrontos do parlamentar com professores, vereadores da oposição e jornalistas.


O Jornal Daki tentou contato com o vereador sem sucesso. O veículo está aberto às manifestações do parlamentar que serão inseridas na matéria caso haja interesse.


Lecinho disputou as eleições deste ano para um cargo na Assembleia Legislativa (Alerj) e não se elegeu, obtendo 16.473 votos. Nos siga no Instagram AQUI e BlueSky AQUI.

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