MUVI chega à etapa final com aditivos e suspeitas de favorecimentos sob investigação
Corredor viário avança em Jardim Catarina e Guaxindiba, mas contrato já superava R$ 310 milhões em 2024. Auditorias e investigação do Ministério Público apuram relações empresariais envolvendo Douglas Ruas e a família de Altineu Côrtes

As obras do corredor Mobilidade Urbana Verde Integrada (MUVI) avançam para seus trechos finais em São Gonçalo, com intervenções no Jardim Catarina e em Guaxindiba.
O empreendimento de 18 quilômetros, que ligará Neves a Guaxindiba, chega à reta final em meio a aditivos milionários e questionamentos sobre relações empresariais envolvendo políticos responsáveis pela gestão e articulação de investimentos estaduais.
No Jardim Catarina, equipes trabalham na instalação de divisórias de concreto e construção de meios-fios. Em Guaxindiba, os serviços incluem terraplanagem e preparação para pavimentação. O projeto contempla ainda ciclovia, drenagem e urbanização.
Contrato já ultrapassava R$ 310 milhões
Embora a Prefeitura continue divulgando investimento de R$ 287 milhões, o terceiro termo aditivo ao contrato nº 001/2023, publicado em agosto de 2024, elevou seu valor global para R$ 310.065.783,02.
O instrumento acrescentou R$ 23,59 milhões ao empreendimento. Em comparação ao contrato original de R$ 262,18 milhões, o aumento acumulado alcançava R$ 47,88 milhões, ou 18,26%.
Outros reajustes e alterações foram registrados posteriormente, incluindo um aditivo de R$ 6,95 milhões em agosto de 2026. O custo global atualizado ainda não foi esclarecido.
Empresas na mira dos órgãos de controle
Auditorias da Controladoria-Geral do Estado identificaram relações empresariais entre Douglas Ruas (PL), ex-secretário estadual das Cidades, e negócios ligados à família do deputado federal Altineu Côrtes (PL).
Segundo o Metrópoles, a FP Vieira Engenharia, integrante do consórcio do MUVI, figura entre as principais compradoras de insumos da Mineração Santa Edwiges, pertencente a familiares de Altineu. A mineradora também pagou aproximadamente R$ 1,58 milhão à Saur, empresa de Douglas Ruas, por serviços de transporte de brita.
As suspeitas já são objeto de procedimentos oficiais. O Ministério Público do Rio instaurou investigação criminal contra Douglas Ruas por possíveis crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A apuração incorpora auditorias sobre contratos da Secretaria das Cidades, comandada por Ruas entre 2023 e março de 2026. Os documentos referentes às relações empresariais com a família de Altineu foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República, em razão do foro do deputado federal.
Um dos contratos questionados pela auditoria recebeu aditivo de 45,4% apenas 17 dias após o início das obras. Trata-se, porém, de outro contrato de recapeamento, não do MUVI.
Douglas Ruas e Altineu Côrtes negam irregularidades. Ambos sustentam que as operações entre empresas privadas não representam participação direta em contratos públicos.
Entrega e transparência
O sexto termo aditivo prorrogou a vigência contratual até 8 de dezembro de 2026. Apesar do avanço físico das obras, permanecem sem esclarecimento público consolidado o custo atualizado, o total desembolsado e a data definitiva de entrega.
A conclusão do corredor deverá ampliar as alternativas de mobilidade urbana da cidade. A fiscalização dos recursos e das relações comerciais entre fornecedores, entretanto, permanece como parte relevante da história de uma das maiores obras públicas de São Gonçalo.
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