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PL usou estratégia do PT para vencer eleições no Rio, admite marqueteiro de Douglas

há 42 minutos
3 min de leitura

Paulo Vasconcelos afirma que campanha apresentou candidato como novidade e construiu narrativa a partir das áreas periféricas, contrapondo São Gonçalo, Baixada e interior à capital


Douglas em campanha em São Gonçalo/Foto: reprodução
Douglas em campanha em São Gonçalo/Foto: reprodução

A campanha de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio buscou no PT parte da estratégia usada para levar o candidato à liderança no primeiro turno. A revelação é do próprio marqueteiro de Douglas, Paulo Vasconcelos, que comandou a comunicação do candidato durante a disputa.


“Usamos duas estratégias usadas sempre pelo PT: apresentar a novidade e construir a narrativa a partir da periferia, valorizando o povo”, afirmou Vasconcelos ao analisar o resultado das urnas. Douglas terminou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, à frente de Eduardo Paes (PSD).


A primeira aposta foi transformar o pouco conhecimento de Douglas fora de São Gonçalo em vantagem. Em vez de tentar apresentá-lo como político experiente, a campanha trabalhou sua imagem como novidade e representante de uma parcela do estado que, segundo a narrativa eleitoral construída pelo PL, estaria distante das prioridades da capital.


São Gonçalo ocupou posição central nessa estratégia. Foi da cidade, principal reduto eleitoral de Douglas, que a campanha projetou a contraposição entre dois Rios: de um lado, a capital e especialmente a Zona Sul; de outro, São Gonçalo, Baixada Fluminense e interior.


“Sabíamos que existe um desconforto no eleitor com o Rio da capital, sempre em festa, e o Rio da Baixada, de São Gonçalo, do interior. Investimos nisso”, explicou Vasconcelos. Segundo ele, a única aparição eleitoral de Douglas no Leblon e em Copacabana ocorreu justamente para criticar a Zona Sul.


A campanha explorou nesse terreno os gastos da Prefeitura do Rio com os shows de Madonna e Lady Gaga em Copacabana e a presença frequente de Paes no Carnaval. O PSD reagiu exibindo imagens de Douglas na Sapucaí e em camarotes, mas Vasconcelos avalia que a resposta não conseguiu desmontar a narrativa construída pelo adversário.


Outra decisão foi colocar Paes simbolicamente no lugar de quem precisava responder pelos problemas do estado, mesmo sem integrar o governo estadual. “Não tratamos o Eduardo como sucessor do Castro, mas colocamos ele na cadeira de governador, no sentido de ser corresponsável pelos problemas do estado”, disse o marqueteiro.


A estratégia também procurou reduzir o desgaste de Douglas por sua ligação com o governo Cláudio Castro. O candidato havia sido secretário estadual das Cidades e chegou à disputa carregando essa associação. Para Vasconcelos, havia um “pedágio” eleitoral a pagar pela proximidade com Castro, mas a condição de candidato ainda pouco conhecido no conjunto do estado permitia apresentar Douglas como novidade.


A origem gonçalense não foi apenas um elemento biográfico dessa construção. Antes de chegar à Alerj, Douglas foi secretário municipal na gestão do pai, Capitão Nelson. Em 2022, recebeu 175.977 votos para deputado estadual, cerca de 85% deles em São Gonçalo. Depois, assumiu a Secretaria estadual das Cidades.


No início deste ano, quando Vasconcelos assumiu a campanha, a estratégia divulgada inicialmente mirava principalmente o eleitorado conservador e religioso do interior. Ao longo da disputa, porém, a comunicação incorporou uma divisão territorial mais ampla e transformou São Gonçalo, Baixada e interior em contraponto político à capital.


O resultado também expôs dificuldades de Paes em áreas onde havia reunido apoios de lideranças locais. Vasconcelos cita especialmente Duque de Caxias e Nova Iguaçu e sustenta que a mudança de lado de grupos que anteriormente estavam próximos do PL não foi acompanhada automaticamente pelos eleitores.


A ironia da estratégia está na origem assumida pelo próprio marqueteiro: numa eleição marcada pela polarização entre PT e PL, a campanha bolsonarista no Rio afirma ter recorrido a uma fórmula que atribui ao adversário — apresentar um nome novo e disputar a eleição a partir da periferia.


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