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A “Ler é arte” precisa de um respirador

Por Erick Bernardes


Um dos mais belos comportamentos que as sociedades podem ter com as suas histórias é o respeito aos espaços de tradição e cultura. Um desses lugares tradicionalmente considerados polos da cultura gonçalense se encontra agora em dificuldade de se manter funcionando. Exato, falo aqui da livraria "Ler é Arte" e o seu papel sobremaneira relevante para a comunidade gonçalense.


Acaso o leitor não tenha se dado conta, anda "rolando" na cidade uma força tarefa nomeada "A ler é arte precisa de um respirador". Exato, gonçalenses amantes de livros, de modo geral, se uniram para divulgar o acervo da loja que já se tornou parte da história recente da cidade. A pandemia do tal Covid do inferno minimizou as atividades do comércio e dos setores de serviços. Imagine com as livrarias o que isso não causou. O intuito único da campanha é insuflar no morador local uma ideia: comprar livros na livraria que é a única do município cujo espaço contém uma seção inteira dedicada aos autores nascidos ou radicados em São Gonçalo, além de outros títulos não menos importantes, é claro! Muitos são os nomes que passam por lá. Escritores e intelectuais, não raramente, também visitam a livraria. Um papa-goiabas que se preze não vai querer perder essa oportunidade de participar, não é? Compre a obra literária do seu escritor preferido, contribua para a manutenção da charmosa loja e faça um bem pra você mesmo.


De acordo com o Jornalista Rennan Rebello: "Seria de suma importância se a 'Ler é Arte!' continuasse funcionando. Fundada em 2005, é um símbolo de resistência cultural, assim como é o Quixote - Clube de Leitura no ICBEU (que está com atividades suspensas por conta da pandemia). A ‘Ler é Arte’ fundada pela dona Virgínia é um espaço literário que representa o que São Gonçalo precisa ter (urgentemente) como política pública: foco na educação e cultura. Com leitura a gente forma leitores e com leitores a gente pensa e questiona a nossa sociedade. É uma pena que uma cidade com mais de um milhão de habitantes tenha apenas uma biblioteca e agora está próxima de perder sua livraria que, inclusive, vende obras de autores locais. Acho que a população e o poder público deveriam abraçar essa causa e estimular o mercado livreiro em São Gonçalo. Afinal, isso também gera renda e empregos diretos e indiretos. Vide Paraty, com a sua Flip, e o Rio com a tradicional Bienal do Livro, mas: e em São Gonçalo? O que tem? Lembrai-vos que a nossa feira literária foi um Salão de Leitura, em 2015, na antiga i9 Music (atualmente Igreja Universal), no bairro Camarão. Portanto, o fim próximo da ‘Ler é arte!’ me deixa muito triste. Pois é mais um lugar de encontros que se fecha".


Na opinião da professora e cliente Tatiana Costa, é de fato necessária essa campanha: "São Gonçalo tem um milhão de habitantes e apenas duas livrarias! Daí a importância de manter a ‘Ler é Arte’ aberta: livrarias são respiradores contra a asfixia da ignorância!”. Já o leitor Fernando Garcez levou a família inteira às compras na livraria. Ele ressaltou que "a leitura, mesmo no seu sentido mais básico, nos dá bagagem para analisar milhares de informações que nos são transmitidas através de vários canais, seja visual, escrito ou falado. A leitura é o oxigênio do cérebro e de que se faz o ser humano, numa prática contínua, base fundamental para o exercício da razão".


Pois é, caro leitor, imagine se a vitrine da "Ler é arte" falasse a você, certamente lhe contaria a trajetória bibliográfica dos renomados Salvador da Mata ou do Evadyr Molina, por exemplo. Quem sabe declamaria baixinho os poemas do Romulo Narducci e do Rodrigo Santos, ou até mesmo um cordel do Zé Salvador. São nomes que se encontram marcados nos anais culturais municipais. A campanha vai bem, você até corre o risco de esbarrar com um ou outro autor por lá, mas sentimos que falta a adesão de mais gente. É uma corrente do bem o que se anda fazendo pela livraria. Já dizia José de Alencar: "exerça o seu afeto sobre o próprio futuro, o saber da boa leitura tem o que quer que seja de grande e sublime na formação do caráter" — e ainda você ajuda a proprietária Virgínia a manter ativa a “Ler é Arte”. Bom né? Simples assim. A ignorância (no sentido de desconhecimento) é um menino frágil que precisa ser nutrido com palavras sadias até que se transforme em sabedoria. E isso só se consegue por meio da leitura.


Há um sentimento nobre nessa força irresistível de colaborar com a nossa tradição mais recente. Sim, são 15 anos funcionando em frente à Igreja Matriz de São Gonçalo de Amarante, na Galeria Matriz, no Centro da cidade. Mas corre risco de fechar. Enfim, para tempos sombrios como estes, um tantinho de renovação nos ânimos faz bem. Ler é magnífico e também é arte, por que não? Compre um livro da livraria “Ler é arte” e faça parte da campanha.

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.




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