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Suspeita de incêndio criminoso na UFPE leva PF a investigar destruição de R$ 100 milhões em pesquisas

há 5 horas
3 min de leitura

Terceiro incêndio em oito dias destruiu laboratórios, equipamentos e dados científicos acumulados durante duas décadas; denúncias de ameaças políticas contra estudantes levantam hipótese de ataque intencional


O prédio incendiado da UFPE abrigava laboratórios vinculados ao Núcleo de Inovação Terapêutica, além de estruturas de informática e genética. Foto: Reprodução/redes sociais.
O prédio incendiado da UFPE abrigava laboratórios vinculados ao Núcleo de Inovação Terapêutica, além de estruturas de informática e genética. Foto: Reprodução/redes sociais.


A Polícia Federal abriu investigação para apurar a possibilidade de origem criminosa do incêndio que destruiu laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite de quarta-feira (7). O fogo provocou prejuízos estimados em R$ 100 milhões, comprometeu dezenas de pesquisas científicas e foi o terceiro registrado na instituição em apenas oito dias.


A suspeita de um ataque intencional ganhou força após a divulgação de relatos sobre ameaças dirigidas a estudantes horas antes do incêndio. O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) afirmou ter recebido mensagens que mencionavam a possibilidade de explodir um departamento da universidade. As ameaças teriam motivação política e fariam referência a apoiadores do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL).


A autenticidade das mensagens ainda não foi comprovada, assim como sua eventual ligação com o incêndio. A Polícia Federal não confirmou a hipótese criminosa e aguarda os resultados da perícia para determinar o que provocou as chamas.


O episódio ocorreu um dia depois de uma manifestação de estudantes em defesa da democracia, da educação pública e da candidatura à reeleição do presidente Lula (PT). A proximidade entre os acontecimentos alimentou suspeitas nas redes sociais, mas não há evidências confirmadas de que o incêndio tenha sido uma retaliação política.


Duas décadas de pesquisas perdidas


O fogo atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, que abrigava laboratórios dedicados a pesquisas nas áreas de medicamentos, genética, informática e inovação terapêutica. Entre os estudos desenvolvidos estavam investigações relacionadas ao câncer, à obesidade e a outras doenças.


Segundo o reitor Alfredo Gomes, o andar superior foi completamente destruído. A estimativa preliminar de R$ 100 milhões considera equipamentos, insumos e materiais científicos, mas ainda não dimensiona integralmente o prejuízo causado à produção acadêmica.


Cerca de 80 dissertações e teses de doutorado foram afetadas. Nos laboratórios estavam armazenados dados de até 20 anos de pesquisas, além de amostras e registros que podem não ser recuperados.


A destruição compromete o trabalho de pesquisadores, professores e estudantes de graduação e pós-graduação. Entre 80 e 100 estudantes tiveram meses ou anos de atividades científicas atingidos.


Três incêndios em oito dias


A sucessão de ocorrências também entrou no centro das preocupações da comunidade universitária.


Em 30 de setembro, um incêndio atingiu um laboratório do Departamento de Física. A suspeita inicial é de que tenha começado em um equipamento de alta temperatura. No domingo (4), outro incêndio danificou o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências.


O episódio de quarta-feira foi incomparavelmente mais destrutivo.


O reitor afirmou que ainda não foi identificada conexão entre os três incêndios. Também informou que o prédio atingido recebia manutenção regular e que não havia registros anteriores de situações semelhantes de risco.


A Advocacia-Geral da União determinou o acompanhamento das investigações por uma comissão de procuradores federais. O Ministério da Educação também anunciou apoio à universidade.


Não houve vítimas. O prédio permanece isolado para avaliação estrutural, enquanto a administração universitária procura alternativas para transferir os laboratórios e retomar as pesquisas.


A perícia terá agora de esclarecer duas questões decisivas: o que provocou o incêndio e se existe alguma relação entre a destruição dos laboratórios e as ameaças relatadas por estudantes.


Enquanto essas respostas não chegam, o prejuízo já é concreto: R$ 100 milhões em perdas materiais estimadas e parte de duas décadas de produção científica comprometida.


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