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Flávio estuda 'tesourar' reajustes do INSS, BPC, saúde e educação para cortar R$ 250 bilhões

há 5 horas
2 min de leitura

Equipe econômica do senador prepara pacote fiscal com desvinculação de benefícios do salário mínimo e fim dos pisos constitucionais da saúde e da educação; medidas integrariam uma “Super PEC da Transição” a ser enviada ao Congresso entre a eleição e a posse


Flávio Bolsonaro fala ao microfone. Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro fala ao microfone. Foto: Reprodução


A equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL) estuda um pacote fiscal que pode limitar os reajustes de aposentadorias do INSS, do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e das despesas federais com saúde e educação. A estimativa citada é de um ajuste inicial equivalente a 2% do PIB, cerca de 250 bilhões de reais.


A campanha de Flávio afirmou que as discussões não representam posição oficial da candidatura. Em nota, declarou que “não se pode transformar conversas informais, interpretação de terceiros ou especulação sobre o cenário econômico em posição oficial de uma candidatura”.


Entre as medidas em análise está a desvinculação dos benefícios previdenciários e assistenciais dos ganhos reais do salário mínimo. Caso trabalhadores da ativa recebam aumento acima da inflação, aposentadorias e o BPC poderiam ter correção menor ou limitada à variação do INPC.


Mais de 41 milhões de benefícios são pagos pelo INSS, e aproximadamente 70% deles equivalem ao piso nacional. A mudança preservaria a reposição pela inflação, mas impediria que aumentos reais do salário mínimo elevassem automaticamente essas despesas.


O grupo também avalia encerrar a vinculação constitucional que obriga a União a aplicar percentuais mínimos da receita em saúde e educação. A ideia seria corrigir essas despesas somente pela inflação, em lugar dos atuais pisos de 15% da Receita Corrente Líquida para a saúde e de 18% da Receita Líquida de Impostos para a educação.


A estratégia discutida prevê enviar uma “Super PEC da Transição” ao Congresso entre a eleição e a posse, caso Flávio vença a disputa presidencial. O texto reuniria cerca de dez medidas e buscaria reduzir despesas em até 2% do PIB, invertendo a lógica da PEC da Transição aprovada no início do governo Lula.


No começo do ano, Flávio disse que faria um “tesouraço” para equilibrar as contas públicas. O coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o modelo econômico atual está “estourando” e disse que as reformas trabalhista e da Previdência seriam “revisitadas”.


Estudos do Centro de Debate de Políticas Públicas projetam que limitar benefícios previdenciários e assistenciais à inflação poderia gerar economia acumulada de 1,1 trilhão de reais em dez anos. Para saúde, educação e complementação da União ao Fundeb, a alteração dos pisos poderia representar alívio de 800 bilhões de reais no mesmo período.


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