Polícia interdita centros cirúrgicos de clínica investigada por três mortes e mais de 30 denúncias no Rio
Operação Por Elas apura casos de mutilações, deformidades e sequelas permanentes; alunos de pós-graduação teriam realizado cirurgias sem supervisão médica

A Polícia Civil interditou, na manhã desta quarta-feira (21), os centros cirúrgicos do Grupo de Saúde Celita Toledo, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A empresa é investigada pela morte de três pacientes após procedimentos estéticos e por mais de 30 denúncias de pessoas que relataram complicações graves, incluindo necrose, mutilações e deformidades permanentes.
A ação, batizada de Operação Por Elas, foi conduzida pela Delegacia do Consumidor (Decon), com participação de fiscais do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e da Vigilância Sanitária. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em estabelecimentos localizados na Rua Soares Cabral, onde funcionam o Hospital Ênio Serra, o Laranjeiras Plastic Day Hospital e o Centro de Estética Celita Toledo.
Segundo a investigação, pacientes submetidas a cirurgias plásticas sofreram lesões que exigiram novos procedimentos médicos. Entre os relatos estão feridas que permaneceram abertas durante meses, perda de tecidos e deformações no abdômen, umbigo e mamas.
Uma das mortes investigadas é a de Jéssica Conceição da Cruz, de 34 anos. Ela passou por procedimentos estéticos em 14 de julho, pelos quais pagou R$ 12,8 mil. Após a cirurgia, permaneceu internada durante dois meses e morreu em 19 de setembro. A causa apontada foi peritonite fecal decorrente de perfuração intestinal associada a complicações cirúrgicas.
Cirurgias sem supervisão e medicamentos vencidos
A Polícia Civil também investiga a atuação de alunos de pós-graduação em cirurgia plástica que teriam realizado intervenções sem a supervisão de médicos responsáveis.
De acordo com o delegado Wellington Vieira, titular da Decon, a investigação identificou situações em que profissionais em formação atuavam sem o acompanhamento exigido. A polícia apura ainda se pacientes tinham conhecimento da participação desses profissionais nas cirurgias.
A clínica já havia sido alvo de uma operação em agosto, quando foram apreendidos produtos e medicamentos com prazo de validade vencido. Na ocasião, um responsável por um dos estabelecimentos foi preso em flagrante por crimes contra as relações de consumo e liberado após pagamento de fiança.
Pacientes devem receber dinheiro de volta
Apesar das investigações em andamento, a clínica tinha 15 cirurgias programadas para esta quarta-feira. Todos os procedimentos foram cancelados após a interdição.
A Polícia Civil orientou os pacientes com cirurgias agendadas a procurar o estabelecimento para solicitar a devolução dos valores pagos.
A Justiça também determinou a apreensão dos prontuários médicos de pacientes que apresentaram denúncias. Segundo o delegado Wellington Vieira, a clínica vinha dificultando o acesso a esses documentos, que são necessários para esclarecer as circunstâncias dos procedimentos e as responsabilidades pelos danos relatados.
As investigações prosseguem para determinar as causas das três mortes e identificar eventuais responsabilidades criminais. Até a publicação das reportagens consultadas, a defesa do grupo não havia apresentado manifestação.
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