Advogado amigo de Flávio tinha acesso a decisões do STJ antes da publicação, diz PF
Tribunal abriu apuração interna e exonerou servidor após PF identificar suspeitas de acesso antecipado a documentos sigilosos pelo escritório de Willer Tomaz

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu uma investigação interna para apurar o suposto vazamento antecipado de decisões judiciais e pareceres do Ministério Público Federal ao escritório do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O tribunal confirmou a abertura da apuração e a exoneração de um servidor comissionado na sexta-feira (16).
Segundo reportagem do UOL publicada neste sábado (17), a Polícia Federal identificou indícios de que o escritório de Tomaz teria recebido minutas de decisões do STJ antes de sua divulgação oficial, além de pareceres do Ministério Público Federal ainda não disponibilizados às partes.
A investigação policial aponta suspeitas de acesso privilegiado a documentos relacionados a processos em tramitação no tribunal. Os investigadores examinam a possível participação de pessoas com acesso interno aos sistemas e às informações processuais.
A exoneração do servidor ocorreu após a identificação das suspeitas, mas não representa comprovação de sua participação nos supostos vazamentos. O STJ ainda deverá esclarecer a origem dos documentos e as circunstâncias em que teriam chegado ao escritório.
Willer Tomaz já havia sido citado em outra investigação da PF envolvendo uma conta bancária da offshore Alcazar Holdings, empresa com participação na propriedade de um jatinho utilizado por Flávio Bolsonaro. Documentos bancários identificaram o senador como usuário master de uma conta vinculada à offshore, controlada pelo advogado.
A nova investigação amplia o escrutínio sobre as atividades de Tomaz, mas não há informação de que Flávio Bolsonaro tenha participado ou tomado conhecimento dos supostos vazamentos judiciais.
O advogado nega irregularidades. A apuração do STJ ainda está em andamento, sem conclusão divulgada sobre responsabilidades individuais.
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