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Fazendeiros ameaçam invadir terra indígena no Pará se Flávio Bolsonaro vencer

há 5 horas
2 min de leitura

Áudios obtidos pela Folha revelam plano de pecuaristas para ocupar a Terra Indígena Apyterewa após o segundo turno; governo federal reforça segurança na região


Placa nos limites da terra indígena/Foto: rteprodução
Placa nos limites da terra indígena/Foto: rteprodução

Fazendeiros ameaçam invadir a Terra Indígena Apyterewa, no Pará, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. O plano foi revelado em oito áudios enviados a indígenas do povo Parakanã, que vivem na região de São Félix do Xingu. As mensagens chegaram a órgãos de inteligência do governo federal, que determinaram reforço na segurança para impedir novas ocupações ilegais.


Segundo a Folha de S.Paulo, os áudios indicam que os pecuaristas esperam contar com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e com o apoio do governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), para ocupar áreas protegidas. Não há comprovação de participação do candidato presidencial ou do governador eleito na elaboração das ameaças.


As mensagens também descrevem movimentações suspeitas nas proximidades da reserva. Moradores relatam circulação intensa de motocicletas e caminhonetes e afirmam que fazendeiros estariam adquirindo lonas e materiais para instalar estruturas rurais. Alguns recados orientam os indígenas a abandonar a região.


A situação foi discutida na quinta-feira (8) durante reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula. O Ministério dos Povos Indígenas informou que monitora o “aumento da pressão para a ocupação ilegal do território” e que o comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, com aumento do efetivo mobilizado.


A Terra Indígena Apyterewa foi homologada em 2007 e possui cerca de 773 mil hectares. A área tem histórico de conflitos fundiários e invasões violentas. Em 2023, um servidor da Funai foi baleado durante operações de desintrusão. Em 2025, um profissional contratado pelo Ibama morreu em meio a conflitos na região.


Dados do Inpe mostram que o desmatamento na reserva disparou durante o governo Bolsonaro, atingindo 102,2 km² em 2022. Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, a devastação caiu para 20,6 km².


Nas últimas semanas, os focos de incêndio voltaram a crescer: foram 41 em julho, 626 em agosto e 1.007 em setembro. Investigadores suspeitam que parte das queimadas possa ter sido provocada intencionalmente por fazendeiros interessados em ocupar a área.


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