Os R$ 200 bilhões que Flávio Bolsonaro promete cortar do orçamento sairá de programas sociais
A promessa de um corte dessa dimensão exige mais do que garantias de campanha. O histórico do governo de seu pai mostra quem já pagou a conta do ajuste fiscal.

Flávio Bolsonaro promete cortar R$ 200 bilhões das despesas federais, mas assegura que os programas sociais serão preservados. A conta, entretanto, continua sem explicação convincente. De onde sairia tanto dinheiro sem atingir serviços públicos, benefícios e políticas que atendem milhões de brasileiros?
A equipe econômica do candidato fala em combater fraudes, eliminar privilégios, reduzir ministérios e enxugar a máquina pública. São medidas que podem produzir economias, mas não há demonstração de que seriam suficientes para alcançar os R$ 200 bilhões anunciados.
O histórico do governo Jair Bolsonaro ajuda a compreender o que está em discussão. Durante seus quatro anos na Presidência, o salário mínimo praticamente não teve ganhos reais, universidades federais enfrentaram bloqueios orçamentários e políticas públicas sofreram restrições de financiamento.
O caso mais revelador ocorreu em 2022. Ao preparar o orçamento de 2023, o governo Bolsonaro propôs reduzir em quase 60% os recursos do Farmácia Popular. A verba prevista caiu de R$ 2,48 bilhões para aproximadamente R$ 1 bilhão. O programa, responsável por fornecer medicamentos a milhões de brasileiros, corria o risco de ficar sem recursos suficientes para funcionar durante todo o ano.
A proposta acabou revertida, mas a decisão original permanece registrada nos documentos oficiais.
É nesse passado recente que a promessa de Flávio encontra seu principal problema. Não se pode afirmar antecipadamente que repetirá as escolhas do pai. Tampouco é razoável ignorar o precedente, sobretudo quando o candidato apresenta um ajuste bilionário sem detalhar suas consequências.
O debate não se resolve chamando de campanha do medo qualquer advertência sobre cortes sociais. Resolve-se apresentando números.
Até que Flávio demonstre de onde pretende retirar R$ 200 bilhões, o risco de que programas sociais paguem parte dessa conta permanece concreto. E não é uma peça de propaganda que sustenta essa preocupação. É o orçamento que seu pai enviou ao Congresso.
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