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Flavio tinha conta conjunta com 'amigo' suspeito de lavar dinheiro do INSS, revela PF

há 1 dia
3 min de leitura

Documentos obtidos pela Polícia Federal mostram que o senador e o advogado Willer Tomaz compartilhavam conta no Santander ligada a uma empresa em Portugal. Ambos negam qualquer relação financeira


Willer Tomaz/Foto: reprodução
Willer Tomaz/Foto: reprodução


E-mails obtidos pela Polícia Federal indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, compartilhava uma conta bancária no Santander com o advogado e empresário Willer Tomaz, suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a fraudes no INSS. As informações foram reveladas inicialmente pelo UOL e confirmadas pela Folha.


Uma das trocas de e-mails entre uma funcionária de Willer Tomaz e o Santander tratava de uma conta bancária relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual o advogado é sócio. Em maio de 2025, a funcionária solicitou ao banco que Flávio Bolsonaro fosse desvinculado da conta.


Em nota, a assessoria do senador afirmou que Flávio "nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas" e classificou as afirmações como falsas. "Essas insinuações não surgem por acaso. Aparecem agora, em pleno período eleitoral, com um propósito único: espalhar fake news", acrescentou.


A assessoria de Willer negou que o advogado tenha compartilhado conta bancária com Flávio ou mantido qualquer relação financeira com o parlamentar. "Entre os dois há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira", afirmou. A defesa classificou as informações como falsas e alegou motivação eleitoral.


A versão apresentada pelos dois, porém, contrasta com os e-mails encontrados pela Polícia Federal, que registram a vinculação de uma conta identificada com o nome do senador a um perfil de administração bancária ligado ao advogado. A explicação também não esclarece os benefícios proporcionados a Flávio e seus familiares, como viagens internacionais em jatos executivos custeadas por empresas de Willer.


Em agosto deste ano, Willer Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA) foram alvos da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de fraudes no INSS.


O advogado mantém relações com parlamentares de diferentes espectros políticos e, nos bastidores de Brasília, é conhecido por ostentar influência política e trânsito entre ministros de tribunais superiores. Ele foi um dos articuladores da tentativa de indicação de Augusto Aras ao STF durante o governo Jair Bolsonaro.


Uma relação antiga: viagens, jatinhos, imóveis e articulações políticas


Episódios documentados mostram que a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz antecede a revelação dos e-mails bancários.


  • Viagens internacionais em 2025. Registros examinados pela PF apontam pelo menos cinco deslocamentos internacionais dos dois no primeiro semestre daquele ano. Entre os destinos estavam Portugal, França e Estados Unidos. Em alguns trechos, viajaram acompanhados de familiares.


  • Jato executivo compartilhado. Em janeiro de 2025, Flávio, a esposa e as duas filhas viajaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília com Willer, em um Legacy 650. O advogado detinha um terço da aeronave, que também tinha participação da Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi sócio. Flávio confirmou a viagem e afirmou que o avião era de Willer.


  • Voos pagos por empresas de Willer. Segundo a investigação divulgada pelo UOL, as empresas portuguesas Alcazar Holdings e Cathedral Holdings custearam deslocamentos em aeronaves executivas utilizados por Flávio e familiares em 2024 e 2025. Willer afirmou que os passageiros eram seus convidados.

    UOL Notícias


  • Safári na África do Sul. Uma fotografia divulgada pelo Estadão registrou Flávio e Willer juntos durante viagem à África do Sul, em 2025. O senador já havia reconhecido publicamente a amizade entre os dois.


  • Apartamento utilizado na campanha. Flávio utilizou um imóvel em São Paulo pertencente a uma empresa de Willer Tomaz. O apartamento havia pertencido anteriormente a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. O episódio motivou questionamentos à Justiça Eleitoral sobre eventual benefício não declarado à campanha, sem irregularidade definitivamente estabelecida.


  • Atuação na CPI da Covid. Em 2021, quando Willer entrou no radar da comissão, Flávio e aliados se posicionaram contra a quebra de seu sigilo. Na ocasião, o senador se referiu ao advogado como amigo.


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