Fux, Nunes Marques e Mendonça também tinham proximidade com Vorcaro, revelam mensagens
Celular do ex-dono do Master expõe relações com filhos e pessoas próximas de três ministros do STF; revelações surgem no momento em que Corte discute as conexões do banqueiro com seus integrantes

As mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro ampliaram o alcance da crise do Banco Master no Supremo Tribunal Federal. Além de Alexandre de Moraes, o material revela uma rede de contatos envolvendo o entorno dos ministros Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.
No caso de Nunes Marques, diálogos mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro, por intermédio da Consult Inteligência Tributária. Kevin nega ter recebido dinheiro de Vorcaro ou trabalhado para o Master e afirma ter recebido R$ 281,6 mil da Consult por serviços tributários sem relação com o STF. Nunes Marques também nega qualquer favorecimento ao banco.
Vorcaro chegou a declarar, em versões preliminares de sua proposta de delação, que buscava “criar proximidade” com Nunes Marques. As referências ao ministro foram retiradas da versão final. O banqueiro não atribuiu a ele qualquer ato em benefício do Master. Marques declarou-se impedido de participar da sessão que analisou o pedido de abetura de investigação contra Alexandre de Moraes.
Com Fux, a aproximação passava principalmente pelo filho Rodrigo. Mensagens mostram encontros e contatos frequentes entre Rodrigo e Vorcaro. Em uma delas, o advogado orientou o banqueiro a enviar um e-mail também para a secretária de seu pai no STF. Rodrigo afirma que nunca advogou para Vorcaro ou para o Master e que uma tentativa de relação comercial não prosperou.
Mendonça aparece por outra via. O advogado Ciro Soares, ligado à campanha por sua indicação ao Supremo, teria intermediado encontro entre Vorcaro e o ministro em 2025. Soares também aparece comemorando com o banqueiro uma decisão de Mendonça favorável ao então governador Cláudio Castro.
As revelações não comprovam irregularidades praticadas pelos três ministros. Mas criam um embaraço institucional: mostram que as relações de Vorcaro com integrantes e familiares de membros do Supremo eram mais extensas do que inicialmente conhecido justamente quando a Corte precisa decidir como tratar essas conexões.
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