Meta enfrenta protesto e prazo para explicar bloqueios de perfis políticos antes do segundo turno
Mobilização em São Paulo cobra transparência da dona do Instagram, Facebook e WhatsApp; MPF investiga denúncias de restrições a contas e conteúdos de apoiadores de Lula

A Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, enfrenta nesta segunda-feira (19) duas frentes de pressão por causa de bloqueios de perfis e conteúdos políticos às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Organizações da sociedade civil convocaram uma manifestação diante da sede da empresa, em São Paulo, enquanto termina o prazo para que a plataforma preste esclarecimentos ao Ministério Público Federal (MPF).
O protesto foi marcado para as 17h. Os organizadores cobram explicações sobre suspensões de contas, remoções de publicações e restrições de alcance que, segundo denúncias encaminhadas às autoridades, atingiram principalmente usuários e páginas ligados à candidatura do presidente Lula.
A investigação ganhou novos elementos após reportagem da Folha de S.Paulo revelar mensagens internas de funcionários da Meta que reconhecem problemas na distribuição de conteúdos políticos. Os registros mencionam prejuízos à conta de Lula no Instagram e recomendações indevidas do perfil de seu adversário, Flávio Bolsonaro.
A empresa atribui os episódios a falhas técnicas e nega favorecimento eleitoral.
O MPF abriu um procedimento para apurar as denúncias apresentadas por organizações de defesa dos direitos digitais. Entre as entidades que levaram o caso às autoridades estão Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z.
O Ministério da Justiça também encaminhou informações técnicas aos órgãos competentes, questionando a transparência dos mecanismos de moderação e os critérios utilizados para restringir contas e publicações.
A apuração busca identificar a extensão dos bloqueios, os critérios aplicados pelas plataformas e a existência de tratamento desigual entre conteúdos políticos. Também deverá examinar se os usuários afetados receberam justificativas adequadas e tiveram acesso a mecanismos de contestação.
O caso ocorre na última semana antes da votação de 25 de outubro. Eventuais falhas de moderação podem afetar a circulação de informações e a comunicação de candidatos e apoiadores com os eleitores.
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