Boca torta, por Erick Bernardes


Foto cedida por Fernando Neves
Foto cedida por Fernando Neves

Lendo a crônica sobre a indústria de pescados Coqueiro outrora geradora de empregos em SG, um leitor amigo afirmou haver na Baía de Guanabara uma espécie de sardinha nomeada de boca torta. Exato, seria um peixe menos valorizado comercialmente, talvez por causa da maior quantidade de espinhas ou (quem sabe?) o sabor menos refinado.



A história se mostra singular pelo fato de raríssimos comércios ainda venderem a tal sardinha boca torta enlatada. Curiosamente, em supermercado da região nos deparamos com as latas na prateleira e justamente com o endereço de fabricação localizado em São Gonçalo. Especificamente a fábrica de conservas Rubi, situada no Gradim. Uma raridade, por assim dizer, quase peça de colecionador.


— Me diz uma coisa, meu amigo, a fábrica separa as sardinhas em boca torta ou não?



— Sim, Erick, a enlatadora identifica a espécie e produz o pescado. Por causa da sobrepesca, ou seja, excesso de pesca na Baía de Guanabara, a sardinha tradicional se escasseou passando a vir de fora do município, porém a de nome boca torta ainda existe em nossas águas e é comercializada.

Sabe-se que, além de servir de alimento enlatado, a sardinha boca torta é base na produção de farinha de peixe e matéria-prima para rações variadas. Seu nome científico é Cetengraulis edentulus e habita regiões costeiras semiabertas, como baías e estuários próximos de manguezais em todo litoral brasileiro.



De acordo com o site Klimanaturali: a boca torta "difere da sardinha verdadeira pelo formato do corpo, mais largo e cabeça mais larga. Coloração prateada com pontas das nadadeiras dorsal e caudal escuras. Apresentam ciclo de vida relativamente curto. Também atingem menores tamanhos que a sardinha (tradicional), alcançando 17 cm de comprimento".



Viu aí, caro leitor, aprendi um pouco mais. A maneira inteligente encontrada de fazer uso do recurso da região. Boca torta, porém tem mais espinhas. Está lá, estampado o nome da espécie na ilustração da lata, sem enganar o consumidor, ponto positivo.


http://www.klimanaturali.org/2011/05/sardinha-boca-torta-cetengraulis.html?m=1

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.




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