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Ipiíba: raízes ou flores do Brasil? Por Erick Bernardes


Ipiíba é o segundo distrito de São Gonçalo e possui um dos mais tradicionais marcos históricos do município: a Fazenda Boa Esperança. De acordo com o estudioso Álvaro Bragança, a junção do termo "ypê" com a terminologia indígena "yba" derivaria da língua tupi, oferecendo assim o significado de árvore de Ipê. Logo, subentendemos que a região, onde hoje está situado o distrito de Ipiíba, haveria proporcionado aos olhos dos apreciadores variedades e quantidades dessa espécie de vegetação frondosa e florida. Com a Fazenda Nossa Senhora da Boa Esperança talvez não tenha sido diferente — e a paisagem bonita das florescências das matas tenha motivado e servido de refrigério (quem sabe?) ao ânimo do desbravador da floresta nativa. Um oásis visual em meio ao matagal atlântico, paragens obrigatórias a bandeirantes ou tropeiros. Não sei, meras especulações, reconheço.

No entanto, sabe-se que Ipiíba não tem mais os atrativos de outrora. Tampouco se fala dos seus coloridos cumes de pés de Ipê roxo, amarelo ou branco. As sombras encobrem a memória. Mas para isso existe o cronista, não é mesmo? Cavouquemos, portanto, os mapas e busquemos mais sobre esse distrito gonçalense. Bem, estima-se que a fazenda histórica da Nossa Senhora da Boa Esperança tenha sido fundada ainda no século XVII ou XVIII e influenciado muitíssimo os arredores por causa da sua produção agrícola. Daí por diante, se o leitor está convencido da nossa explicação, enganou-se, porque outra questão nos move. Isso mesmo, versão adversa resolve aparecer, já que o próprio site da prefeitura de São Gonçalo oferece uma narrativa distinta. Sim, incrível, e isso aumenta nossos questionamentos e confusões. Duvida? Pergunte ao site oficial do município a origem do registro do nome do nosso segundo distrito. E assim a página lhe dirá:


"O referido distrito Ipiíba significa, em tupi, 'planta de aipim'. Marcado pela atividade agrícola tradicional, tem como origem a freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Cordeiro, criada pela Lei 311, de 4 de abril de 1844 e incorporada à São Gonçalo em 22 de setembro de 1890. No ano de 1911, a freguesia passou a ser chamada de Cordeiro apenas, e de Cordeiros a partir de março de 1938. Em dezembro do mesmo ano, o Decreto-Lei Estadual 641 altera o nome para José Mariano. Por fim, através do Decreto- Lei Estadual 1.056, de 31 de dezembro de 1943, assume o corrente nome: Ipiíba (que torna-se segundo distrito através do Decreto-Lei Estadual 1.063, de 28 de janeiro de 1944."


Viu aí, caro leitor? Algumas vezes o narrador está mais pra confundir do que clarear as ideias. São tantas mudanças de nomes e divergências de opiniões! Porém, talvez as duas explicações se afinem, principalmente se considerarmos, tanto os Ipês quanto os aipins, como fontes de atração aos viajantes ou moradores. Nem só de raiz de aipim vivia o homem de antigamente, mas da beleza nativa das árvores gonçalenses se sustentava o espírito cansado dos viajantes. Precisa de uma decisão? Ofereço a você a responsabilidade: árvores de ipês ou raízes de aipim? Eis agora a sua chance de fazer história. Desafio lançado.


Referências:

https://www.saogoncalo.rj.gov.br/sao_goncalo.php

http://www.filologia.org.br/pub_outras/sliit01/sliit01_29-48.html

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.


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