TSE manda Flávio Bolsonaro esclarecer ação contra o canal 'Exército de Lula' no WhatsApp
Corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, concede 72 horas para esclarecimentos e cinco dias para apresentação de arquivos digitais; Lula, Alckmin e Janones terão cinco dias para defesa

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou neste sábado (10) que Flávio Bolsonaro (PL) apresente esclarecimentos e documentos complementares na ação em que acusa a campanha de Lula (PT) e o deputado federal André Janones (Avante-MG) de abuso de poder e uso irregular das redes sociais na disputa presidencial. A decisão foi tomada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
O ministro estabeleceu prazo de 72 horas para esclarecimentos e de cinco dias para a apresentação de arquivos digitais mencionados na ação, mas que não haviam sido anexados ao processo.
A representação tem como alvo o chamado “Exército do Lula”, grupo de mobilização política organizado em torno de Janones no WhatsApp. Segundo a acusação, a estrutura teria sido utilizada para coordenar a divulgação de conteúdos ofensivos e informações falsas contra Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral.
A defesa do candidato do PL pede a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin, além da declaração de inelegibilidade dos responsáveis pelas supostas irregularidades.
O TSE ainda não examinou o mérito das acusações. A determinação de Cueva busca reunir os elementos necessários para avaliar os pedidos apresentados pela campanha de Flávio.
O ministro também determinou a notificação de Lula, Alckmin e Janones para que apresentem defesa em cinco dias. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi admitida para processamento, mas isso não significa que o tribunal tenha reconhecido a existência das irregularidades denunciadas.
Criado por Janones como instrumento de mobilização digital, o “Exército do Lula” cresceu rapidamente depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Segundo reportagem do UOL, o canal já havia alcançado 3,2 milhões de seguidores, número dez vezes superior ao registrado no canal oficial de Lula.
A campanha de Flávio sustenta que o canal ultrapassou os limites da propaganda eleitoral legítima. Entre os conteúdos questionados estão publicações que associam o senador a milícias e atribuem a ele propostas de redução de benefícios sociais.
Além da suspensão do canal de WhatsApp, a ação pede a retirada do perfil @janones.apoio, a remoção de publicações, a interrupção de impulsionamentos e a preservação de registros digitais.
Janones reagiu à iniciativa judicial, classificando o pedido de suspensão como tentativa de censura. O deputado divulgou a denúncia aos integrantes do próprio canal e afirmou que Lula participaria de novas ações de mobilização digital.
Na quinta-feira (8), o TSE já havia determinado a remoção de um vídeo divulgado por Janones e Lindbergh Farias (PT-RJ), que atribuía a Flávio medidas que supostamente adotaria caso fosse eleito. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, com previsão de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Trata-se de outro processo, distinto da investigação agora conduzida por Cueva.
O corregedor também negou o pedido de sigilo integral da investigação. O processo seguirá público, ressalvada a proteção de dados específicos. O caso tramita no TSE sob o número 0602694-73.2026.6.00.0000.
Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.
Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.









































































Comentários