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Buscas por 'Bolsonaro mandou matar Lula' explodem no Google

há 1 hora
3 min de leitura

Mobilização foi feita pelo deputado André Janones a partir do “Exército do Lula” impulsionando pesquisas sobre acusação relacionada à trama golpista de 2022, recolocando em evidência investigação sobre plano para assassinar o presidente


Janones e Jair/Foto: reprodução
Janones e Jair/Foto: reprodução

A expressão “Bolsonaro mandou matar Lula” ultrapassou a marca de 200 mil pesquisas no Google nesta terça-feira (20), depois que o deputado federal André Janones (Rede-MG) mobilizou apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para buscar a frase na plataforma.


O crescimento foi superior a 1.000%, segundo os dados divulgados a partir do Google Trends. A iniciativa partiu do grupo digital conhecido como “Exército do Lula”, articulado por Janones para atuar nas redes sociais durante a campanha eleitoral.


A estratégia consistiu em orientar apoiadores a pesquisar a mesma expressão no buscador, aumentando seu volume de consultas e sua visibilidade entre os assuntos em alta. A mobilização ganhou repercussão na imprensa ao longo do dia.


O plano para assassinar Lula


A expressão escolhida por Janones remete a uma investigação da Polícia Federal sobre o planejamento de assassinatos de autoridades durante a tentativa de impedir a posse de Lula, após as eleições de 2022.


O documento, denominado “Punhal Verde e Amarelo”, previa ações contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).


Segundo a investigação, o planejamento foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, então integrante da estrutura do governo Bolsonaro. Entre os métodos considerados estava o envenenamento de Lula.


Na denúncia apresentada em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Jair Bolsonaro teve conhecimento e concordou com o plano.


A afirmação da PGR integra a acusação sobre a tentativa de golpe de Estado. Ela não significa, por si só, que tenha sido comprovada uma ordem direta de Bolsonaro para executar o assassinato. O ex-presidente negou conhecer o planejamento.


A disputa pelo Google

A mobilização de Janones explora o funcionamento das plataformas digitais, nas quais aumentos rápidos no volume de pesquisas podem dar visibilidade a determinados assuntos.


Diferentemente de uma publicação convencional nas redes sociais, a ação buscou interferir no comportamento de busca dos usuários, fazendo uma frase específica ganhar destaque no Google.


Os números indicam forte crescimento das consultas, mas não permitem determinar quantas pessoas diferentes participaram da mobilização nem quantas pesquisas ocorreram espontaneamente.


Também não demonstram que o Google tenha endossado o conteúdo da frase. O buscador registra o interesse dos usuários, não a veracidade das expressões pesquisadas.


A investigação volta ao debate eleitoral


A iniciativa acontece na reta final da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente.


Ao recuperar a investigação sobre o plano de assassinato, Janones recoloca no debate eleitoral um dos episódios examinados pela Polícia Federal e pela PGR na apuração da trama golpista.


A estratégia digital transforma uma acusação de grande impacto político em expressão de busca, ampliando sua circulação para além das publicações dos apoiadores de Lula.


O episódio também evidencia o uso coordenado de ferramentas de pesquisa como instrumento de comunicação eleitoral. Neste caso, o resultado mais visível foi a rápida ascensão de uma frase relacionada a um dos capítulos mais graves das investigações sobre os acontecimentos posteriores às eleições de 2022.


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