Dino manda Andrei voltar à PF e esfrega Vorcaro na cara de Mendonça
Ministro do STF considerou que o Partido Novo não tinha legitimidade para pedir o afastamento e citou encontro de Mendonça com Vorcaro para justificar a interferência do ministro na corporação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à Diretoria de Inteligência Policial da PF. A decisão reverte o entendimento do ministro André Mendonça, que havia afastado os dois delegados na terça-feira (8).
Na decisão, Dino argumentou que o Partido Novo, autor do pedido de afastamento, não tinha legitimidade para fazê-lo. O ministro também destacou que Mendonça se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tornando a interferência do ministro na PF "ainda mais grave". "Segundo noticiado, essa reunião teria ocorrido, inclusive, por intermediação de outros agentes que figuram em investigações em curso no Poder Judiciário", explicou Dino.
Mendonça havia justificado o afastamento de Andrei Rodrigues sob a alegação de que o diretor-geral estaria monitorando ilegalmente suas atividades. O afastamento foi referendado pela maioria da Segunda Turma do STF, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista, suspendendo o julgamento. Com a decisão de Dino, o comando da PF volta a ser exercido por Rodrigues, que coordenava a corporação desde janeiro de 2023.
O movimento ocorre em meio à crise instalada no STF após Mendonça divulgar mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. Sob o comando de Andrei, a PF prendeu Vorcaro, elucidou o assassinato de Marielle Franco e revelou o esquema de descontos ilegais no INSS. A Segunda Turma do STF formou maioria para referendar o afastamento, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista, suspendendo o julgamento.
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